PF investiga suspeita de que empresários e políticos ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil

Fabíola Maria Costa Silva •

A Polícia Federal investiga a suspeita de que empresários e políticos ligados à direita tenham ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a deixar o Brasil após sua derrota nas eleições presidenciais de domingo (25). Os investigadores buscam identificar os proprietários dos carros e aviões utilizados pelo parlamentar durante o trajeto até os Estados Unidos. Flávio chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador. A investigação também considera a possibilidade de solicitar a quebra de sigilos telefônicos e telemáticos para esclarecer como ocorreu a viagem e quem participou de sua organização.

PF investiga quem forneceu carros e aviões para Flávio

Um dos principais focos da Polícia Federal é identificar as pessoas responsáveis pelos veículos utilizados durante a saída do senador do território brasileiro.

Segundo informações sobre a investigação, os agentes suspeitam que Flávio Bolsonaro tenha recebido apoio de empresários e integrantes de grupos políticos de direita.

Por isso, a PF procura descobrir quem disponibilizou os carros e as aeronaves utilizados no deslocamento.

Além disso, os investigadores avaliam a possibilidade de solicitar autorização judicial para acessar registros telefônicos e dados de comunicações relacionados ao planejamento da viagem.

Até o momento, as suspeitas de participação de terceiros ainda dependem de comprovação.

Senador passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com as informações divulgadas, o senador seguiu inicialmente para a região de fronteira entre Brasil e Argentina.

Depois de entrar no país vizinho, embarcou em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.

Durante o percurso, o avião realizou uma parada no Equador para reabastecimento.

Posteriormente, a aeronave seguiu para Miami, na Flórida, onde o parlamentar desembarcou na manhã de quarta-feira (28).

A Polícia Federal procura esclarecer quem organizou cada etapa desse deslocamento.

Investigadores apuram possível participação de aliados políticos

A Polícia Federal já monitorava a possibilidade de Flávio Bolsonaro deixar o país antes mesmo da conclusão das eleições presidenciais.

Segundo relatos relacionados à investigação, o planejamento da saída poderia ter contado com o conhecimento ou apoio de pessoas próximas ao senador.

Entre os nomes mencionados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o advogado e empresário Willer Tomaz.

Entretanto, as informações disponíveis não comprovam que essas pessoas tenham participado diretamente da organização da viagem.

Eduardo Bolsonaro e Willer Tomaz estão nos Estados Unidos.

Os investigadores também apuram se outros integrantes do grupo político consideravam deixar o Brasil diante da possibilidade de decisões judiciais contra eles.

Moraes determinou entrega dos passaportes após eleição

Horas depois da divulgação do resultado eleitoral de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro.

A medida ocorreu no contexto de investigações envolvendo o senador.

Entretanto, Flávio deixou o território brasileiro e não apresentou os documentos dentro do prazo estabelecido.

Na terça-feira (27), a Polícia Federal cancelou seus passaportes comum e diplomático nos sistemas oficiais.

A investigação agora busca esclarecer as circunstâncias da saída do país e a eventual participação de outras pessoas no deslocamento.

Recursos do filme Dark Horse também estão sob investigação

Além da viagem, a Polícia Federal investiga movimentações financeiras relacionadas ao filme “Dark Horse”.

Os investigadores suspeitam que parte dos recursos arrecadados com a produção tenha sido enviada para fundos estrangeiros.

Uma das hipóteses examinadas é que essas transferências estivessem relacionadas à preparação financeira para uma possível permanência no exterior.

Flávio Bolsonaro também é investigado por suspeitas de evasão de divisas em dois inquéritos.

Um deles envolve movimentações relacionadas ao filme, enquanto o outro apura operações financeiras ligadas a negócios com o advogado Willer Tomaz.

As investigações ainda não estabeleceram conclusões definitivas sobre as suspeitas.

A Polícia Federal deverá continuar analisando os deslocamentos, as movimentações financeiras e os possíveis contatos utilizados para organizar a saída do senador do Brasil.

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