Flávio Bolsonaro recua após se declarar presidente eleito e passa a se apresentar como líder do Brasil

Fabíola Maria Costa Silva •

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou atrás após divulgar uma carta em que se autoproclamava o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil, nesta quarta-feira (28). Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o parlamentar retirou a expressão do documento poucos minutos depois da primeira publicação e passou a se apresentar como “líder do Brasil”. Mesmo com a alteração, Flávio manteve acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas e anunciou que pretende comandar a oposição brasileira diretamente dos Estados Unidos, onde desembarcou acompanhado da família.

Flávio Bolsonaro altera carta após se declarar presidente eleito

Na primeira versão do documento, Flávio Bolsonaro afirmou que se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do país.

Entretanto, minutos depois, o senador publicou uma nova versão da carta nas redes sociais e retirou a declaração.

A mudança ocorreu após a repercussão do conteúdo, que apresentava semelhanças com a estratégia utilizada pelo político venezuelano Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela em 2019.

Apesar do recuo, Flávio manteve as críticas ao processo eleitoral brasileiro e afirmou que continuará atuando politicamente mesmo fora do país.

O senador também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio durante sua saída do Brasil.

Lula venceu eleição com mais de 4,4 milhões de votos de vantagem

O resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.

Flávio Bolsonaro conquistou 59.826.041 votos, o equivalente a 48,21%.

A diferença entre os candidatos ultrapassou 4,4 milhões de votos.

Entretanto, o senador voltou a questionar o resultado e afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude durante a votação de domingo (25).

Na carta, ele criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação até as 19h.

Segundo Flávio, a medida teria favorecido Lula e permitido um crescimento de mais de 10 milhões de votos entre os dois turnos.

TSE apresenta números que contradizem acusação de fraude

Os dados oficiais da Justiça Eleitoral não sustentam a acusação apresentada por Flávio Bolsonaro.

Segundo o TSE, apenas 32.399 votos foram registrados entre 17h e 18h no segundo turno.

Entre 18h e 19h, os eleitores registraram outros 1.981 votos. Após as 19h, houve apenas 13.

Dessa forma, o total de votos computados após as 17h ficou muito abaixo da diferença de 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio.

Além disso, o aumento da votação de Lula entre os dois turnos tem explicação nos números oficiais.

No primeiro turno, aproximadamente 9,3 milhões de votos válidos foram destinados a outros candidatos.

Já no segundo turno, a abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, enquanto o número de votos válidos aumentou em aproximadamente 4,8 milhões.

Com isso, os dois finalistas dividiram os votos adicionais: Lula conquistou cerca de 10,4 milhões, enquanto Flávio recebeu aproximadamente 3,7 milhões.

Partido de Flávio e aliados reconhecem vitória de Lula

Apesar das acusações do senador, integrantes de seu próprio grupo político reconheceram o resultado das eleições.

O Partido Liberal (PL), presidido por Valdemar Costa Neto, divulgou uma nota reconhecendo a vitória proclamada pelo TSE.

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, também reconheceu a derrota.

Além disso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou que a direita deve se reorganizar para atuar na oposição.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, também reafirmou a confiança no processo eleitoral.

“Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou.

Senador promete liderar oposição diretamente dos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro confirmou na carta que está nos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas.

O senador deixou o Brasil após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

A decisão ocorreu no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.

Na terça-feira (27), a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio, que já havia deixado o território brasileiro.

Na carta, o senador afirmou que não existe mandado de prisão contra ele e negou ter cometido irregularidades.

Além disso, enviou um recado a deputados, senadores e governadores aliados.

“Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer”, escreveu.

Flávio também declarou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado e prometeu apresentar estratégias de mobilização política por meios pacíficos e legítimos.

O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina em fevereiro de 2027.

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