Netanyahu perde maioria em Israel e partidos árabes podem decidir quem governará o país

Fabíola Maria Costa Silva •

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrenta o risco de perder o poder após as eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira (27). As primeiras pesquisas de boca de urna apontam que sua coalizão não conseguiu conquistar a maioria necessária para formar um novo governo. Ao mesmo tempo, a oposição liderada por Gadi Eisenkot também ficou abaixo do número de cadeiras exigido. Com isso, os partidos árabes ganharam força e podem desempenhar um papel decisivo nas negociações que definirão o próximo primeiro-ministro israelense. Os resultados ainda são projeções e dependem da confirmação pela apuração oficial.

Netanyahu fica longe dos 61 deputados necessários

De acordo com as pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais emissoras israelenses, a coalizão de Netanyahu deve conquistar aproximadamente 50 das 120 cadeiras do Parlamento de Israel, conhecido como Knesset.

Por outro lado, o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot aparece com uma projeção de 52 a 53 parlamentares.

Para formar um governo, qualquer um dos grupos precisa reunir o apoio de pelo menos 61 deputados.

Dessa forma, nenhum dos dois principais blocos alcançou a maioria necessária nas projeções iniciais.

O cenário abre espaço para negociações entre partidos que não integram diretamente as duas principais alianças políticas.

Partidos árabes ganham força e podem definir o próximo governo

Um dos principais destaques das eleições foi o crescimento da representação dos partidos árabes no Parlamento israelense.

As pesquisas indicam que essas legendas podem conquistar entre 17 e 18 cadeiras.

O partido Ra’am, liderado por Mansur Abbas, aparece com uma projeção de sete deputados.

Já a Lista Unificada pode eleger entre dez e 11 representantes.

Com esses números, os partidos árabes podem se tornar fundamentais para a formação de uma maioria parlamentar.

Entretanto, tanto Netanyahu quanto seus principais adversários enfrentam resistências políticas à possibilidade de construir alianças com essas legendas.

Netanyahu enfrenta oposição de ex-chefe das Forças Armadas

Aos 77 anos, Benjamin Netanyahu tenta permanecer no comando de Israel após um período marcado por guerras, tensões regionais e disputas políticas internas.

Durante a campanha eleitoral, o primeiro-ministro destacou sua atuação nos conflitos na Faixa de Gaza, no Líbano e contra o Irã.

Além disso, utilizou a segurança nacional como um dos principais temas de sua campanha e ressaltou sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Seu principal adversário, Gadi Eisenkot, de 66 anos, é ex-chefe das Forças Armadas israelenses.

Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, mas deixou o governo meses depois.

Desde então, passou a criticar Netanyahu e a defender mudanças na condução política do país.

Entre suas propostas está a criação de uma comissão independente para investigar as falhas de segurança que permitiram os ataques de outubro de 2023.

Adversários compartilham posições sobre o Estado palestino

Apesar das divergências políticas, Netanyahu e Eisenkot apresentam posições semelhantes em questões importantes do conflito israelense-palestino.

Os dois se opõem à criação de um Estado palestino e defendem a manutenção dos assentamentos israelenses.

Entretanto, Eisenkot prometeu combater a violência praticada por colonos na Cisjordânia.

A questão palestina permanece entre os principais desafios políticos e diplomáticos enfrentados por Israel.

As diferenças entre os candidatos também envolvem a condução do governo, a segurança nacional e a responsabilização pelas falhas identificadas após os ataques de outubro de 2023.

Israel pode enfrentar novas eleições se não houver acordo

Após a conclusão da apuração oficial, o presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá consultar os partidos políticos e indicar um candidato para tentar formar o próximo governo.

O escolhido precisará negociar apoios suficientes para alcançar a maioria de 61 parlamentares.

Caso nenhuma liderança consiga reunir os votos necessários, Israel poderá enfrentar uma nova eleição parlamentar.

Enquanto isso, Netanyahu poderá continuar à frente de um governo interino.

O país já enfrentou uma situação semelhante entre 2019 e 2022, quando realizou cinco eleições parlamentares diante das dificuldades para formar governos estáveis.

A votação desta terça-feira marcou a primeira eleição geral israelense desde os ataques de 7 de outubro de 2023. Agora, a definição do próximo governo dependerá da apuração oficial e dos acordos entre as diferentes forças políticas.

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