PF encontra dezenas de garrafas de vinhos importados e whisky R$ 10,3 mil em gabinete do TCE-MT; veja vídeo

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Dezenas de garrafas de vinhos importados e whisky de luxo chamaram a atenção durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (29), em Mato Grosso. Entre as bebidas encontradas no gabinete do consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Gregory Paiva Pires Moreira Maia, estão rótulos que podem custar milhares de reais no mercado brasileiro.

Um dos destaques é o whisky The Macallan Diamonds Are Forever, edição especial inspirada na franquia de filmes do agente James Bond. A bebida pode ultrapassar R$ 10,3 mil, conforme os valores informados. Os policiais também encontraram vinhos importados de alto valor comercial, incluindo rótulos italianos e norte-americanos.

Whisky de luxo e vinhos importados estão entre as bebidas encontradas

Entre os vinhos identificados está o Massetino Toscana, produzido na Itália. A garrafa pode custar entre R$ 3,5 mil e R$ 4,2 mil, dependendo do estabelecimento e das condições de comercialização. O rótulo aparece entre os itens que chamaram a atenção durante as diligências realizadas pela Polícia Federal no âmbito da operação.

Outro vinho encontrado foi o Caymus Cabernet Sauvignon, produzido na Califórnia, nos Estados Unidos. A garrafa de 750 mililitros custa entre R$ 1,3 mil e R$ 1,6 mil, conforme a safra e o estabelecimento. Já a edição comemorativa Caymus 50th Anniversary Cabernet Sauvignon 2022 aparece no mercado brasileiro por cerca de R$ 1,5 mil.

Os preços das bebidas ajudam a dimensionar o valor comercial dos produtos encontrados no gabinete. No entanto, a presença das garrafas no local, por si só, não comprova irregularidade na compra, na origem ou na finalidade dos produtos. A Polícia Federal investiga suspeitas de pagamentos irregulares e possíveis favorecimentos envolvendo contratos do TCE-MT.

Operação Tomada de Contas investiga movimentações de R$ 49,8 milhões

A Operação Tomada de Contas investiga um suposto esquema de pagamentos irregulares por meio de empresas contratadas para prestar serviços ao Tribunal de Contas de Mato Grosso. Segundo as informações da investigação, as movimentações financeiras atribuídas aos cinco conselheiros citados na decisão judicial somam aproximadamente R$ 49,8 milhões.

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), detalhou na decisão pagamentos que teriam ocorrido por meio de ordens bancárias avulsas. Parte dessas operações teria ocorrido fora do calendário habitual da folha salarial e utilizado a rubrica destinada a fornecedores. O Ministério Público Federal (MPF) apresentou informações que fundamentam as suspeitas analisadas pela Justiça.

A investigação também apura se empresas mantiveram ou ampliaram o faturamento mesmo após a suspensão de contratos sob a justificativa de contenção orçamentária. Os investigadores analisam a hipótese de que empresas devolveram parte dos valores pagos a pessoas ligadas ao grupo investigado. Além disso, examinam transferências bancárias, saques em dinheiro e movimentações envolvendo empresas e holdings patrimoniais.

Decisão cita pagamentos atribuídos a cinco conselheiros

Segundo a decisão judicial, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, teria recebido R$ 15.442.211,65 nas movimentações financeiras investigadas. O documento compara esses créditos com a remuneração ordinária divulgada no Portal da Transparência e também menciona saques frequentes em dinheiro. O ministro Og Fernandes decretou a prisão preventiva do conselheiro.

O conselheiro e corregedor-geral Guilherme Antônio Maluf teria recebido R$ 10.645.201,80. Desse montante, R$ 9.733.804,37 teriam chegado por meio de 64 ordens bancárias avulsas. A decisão também aponta que Maluf teria conduzido procedimentos relacionados à suspensão dos contratos investigados.

Já o conselheiro José Carlos Novelli teria recebido R$ 8.874.885,75, dos quais R$ 7.374.017,09 teriam chegado por meio de 78 ordens bancárias avulsas. A investigação também analisa pagamentos destinados a pessoas ligadas a ele, incluindo operações realizadas nos mesmos lotes bancários.

Alisson Carvalho de Alencar atuou como procurador de Contas até 22 de dezembro de 2025 e assumiu como conselheiro no dia seguinte. Segundo a decisão, ele teria recebido R$ 8.186.496,57. O MPF aponta que os pagamentos incluiriam parcelas mensais de R$ 150 mil realizadas pelo canal destinado a fornecedores.

O conselheiro aposentado Valter Albano da Silva teria recebido R$ 6.617.904,08, incluindo R$ 4.940.191,74 por meio de 55 ordens bancárias avulsas. A decisão também menciona movimentações em diferentes contas bancárias e informa que o Tribunal manteve Albano como titular de uma comissão permanente.

Afastamentos e medidas judiciais fazem parte da operação

Além da prisão preventiva de Sérgio Ricardo, a decisão determinou medidas cautelares contra outros investigados, incluindo o afastamento de funções públicas e restrições de contato com pessoas envolvidas na apuração. O ministro estabeleceu essas medidas para preservar a coleta de provas e evitar possíveis interferências na investigação. A apuração ainda precisa esclarecer os fatos e a participação individual dos investigados.

A Operação Tomada de Contas apura possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao Tribunal de Contas de Mato Grosso. A presença das bebidas de alto valor no gabinete de Gregory Paiva integra o contexto das diligências, mas não comprova, isoladamente, que os produtos tenham relação direta com os pagamentos investigados.

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