O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta segunda-feira (20) que nem a Europa nem a Ucrânia podem ficar de fora das negociações entre os Estados Unidos e a Rússia sobre uma possível solução para o conflito no Leste Europeu. As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa na Eslovênia, logo após a cúpula do Grupo Mediterrâneo (MED9).
Macron foi enfático ao dizer que “nenhum acordo sobre o futuro da Ucrânia ou sobre a segurança do continente europeu pode ser firmado sem a presença direta desses atores”. A fala veio em resposta à recente confirmação de um novo encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, que deve acontecer em Budapeste, na Hungria.
Tensão diplomática e alerta europeu
O anúncio da cúpula entre Washington e Moscou causou desconforto entre aliados da Ucrânia, especialmente dentro da União Europeia. Fontes em Bruxelas afirmaram que o bloco não foi previamente informado sobre o encontro, o que levantou preocupações sobre uma possível negociação paralela que exclua os europeus das discussões mais sensíveis da guerra.
Macron aproveitou o momento para reforçar o papel do continente nas decisões que impactam diretamente sua segurança. “Se o futuro da Ucrânia está em jogo, então os ucranianos devem estar à mesa de negociações. E, se o que está sendo discutido diz respeito à segurança dos europeus, então os europeus também devem estar à mesa”, declarou o presidente francês.
O assessor presidencial russo Yury Ushakov confirmou que Moscou e Washington iniciarão “sem demora” os preparativos para a reunião, cujo formato ainda não foi definido. A duração e os temas do encontro permanecem em sigilo, mas analistas acreditam que o cessar-fogo e as sanções econômicas estarão no centro das conversas.
França busca protagonismo no cenário internacional
Macron tenta consolidar o papel da França como mediadora em questões geopolíticas globais. Nos últimos meses, o presidente tem se posicionado como voz ativa na defesa da soberania ucraniana e na construção de um “novo equilíbrio de segurança” na Europa.
Ele também confirmou que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky participará de uma reunião da chamada “Coalizão dos Dispostos”, que ocorrerá em Londres na próxima sexta-feira (24). O grupo, liderado por França e Reino Unido, busca estabelecer garantias de segurança pós-guerra, incluindo a criação de uma força internacional de proteção para Kiev.
“Continuaremos a apoiar a Ucrânia, que resiste de forma admirável. O futuro da Europa depende diretamente do resultado desta guerra”, afirmou Macron, ressaltando que o continente não pode permitir que seu destino seja decidido sem sua presença.
Expectativa e cautela entre aliados
Enquanto a data da reunião entre Trump e Putin se aproxima, o clima é de expectativa e cautela entre as potências europeias. Bruxelas teme que uma negociação bilateral enfraqueça a posição de Kiev e reduza o espaço de influência da União Europeia nas decisões de segurança global.
Para Macron, o momento exige unidade e clareza: “Não podemos aceitar que outros decidam por nós. O destino da Europa deve ser escrito pelos europeus.”
Perguntas e respostas
- Por que Macron quer a participação da Europa e da Ucrânia nas negociações?
Porque ele acredita que o futuro da segurança europeia e da soberania ucraniana não pode ser decidido sem seus representantes diretos. - Onde deve ocorrer a reunião entre Trump e Putin?
O encontro está previsto para acontecer em Budapeste, capital da Hungria. - O que é a “Coalizão dos Dispostos”?
É um grupo liderado por França e Reino Unido que busca garantir segurança e apoio militar à Ucrânia após o fim da guerra.






