A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (11) a Operação Valquíria para desarticular uma facção criminosa que atuava no tráfico interestadual de drogas e utilizava mulheres na logística do transporte de entorpecentes. A Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) coordena a ação, que integra o planejamento estratégico da instituição para combater organizações criminosas no Estado.
Os policiais cumprem nove mandados de prisão preventiva, nove mandados de busca e apreensão domiciliar e nove ordens de bloqueio de contas bancárias. A Justiça limitou os bloqueios a R$ 500 mil por investigado. A 5ª Vara Criminal de Sinop autorizou as medidas cautelares após analisar as provas reunidas pela Denarc e o parecer favorável do Ministério Público.
Os investigadores identificaram uma estrutura criminosa organizada que movimentava drogas entre estados, abastecia o mercado ilegal em Mato Grosso e mantinha atividades ilícitas mesmo com parte dos integrantes encarcerada.
Facção mantinha comando dentro dos presídios
As equipes da Polícia Civil executam as ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande, Campo Novo do Parecis e em unidades do sistema prisional mato-grossense. As investigações mostram que líderes da facção continuavam a comandar operações criminosas mesmo atrás das grades.
Segundo a Denarc, os criminosos utilizavam aparelhos celulares e intermediários para transmitir ordens, coordenar ações e manter contato com integrantes que atuavam em liberdade. A estratégia permitia que a organização preservasse sua estrutura e ampliasse a atuação no tráfico de drogas.
Os investigadores também identificaram uma rede de comunicação responsável por levar informações, valores e orientações entre os líderes presos e os demais membros da facção.
Mulheres desempenhavam papel estratégico
A investigação revelou que a facção recrutava mulheres para executar funções consideradas essenciais ao funcionamento do esquema criminoso. Elas realizavam viagens interestaduais para transportar drogas, entregavam valores em dinheiro e transmitiam informações entre integrantes da organização.
Além do transporte de entorpecentes, as investigadas participavam do recrutamento de novas integrantes e executavam tarefas logísticas que garantiam a continuidade das operações ilícitas. A Polícia Civil aponta que a organização dependia diretamente dessa atuação para manter a circulação de drogas e recursos financeiros.
Os policiais também descobriram que as mulheres auxiliavam na comunicação entre criminosos presos e membros que permaneciam em liberdade, fortalecendo a estrutura da facção.
Grupo levava drogas para unidades prisionais
A Denarc identificou ainda a participação do grupo no ingresso de drogas em estabelecimentos prisionais de Mato Grosso. Os investigados utilizavam diferentes estratégias para abastecer internos ligados à facção e manter o comércio ilegal dentro das unidades.
As lideranças criminosas determinavam as ações diretamente dos presídios e distribuíam funções entre os membros da organização. A investigação aponta que o grupo estruturou uma cadeia de comando capaz de manter as atividades ilícitas em funcionamento contínuo.
Com as medidas judiciais, a Polícia Civil busca interromper o fluxo financeiro, enfraquecer a comunicação interna e reduzir a capacidade operacional da facção.
Nome da operação faz referência à logística feminina
A Polícia Civil escolheu o nome Operação Valquíria em referência às personagens femininas da mitologia nórdica que cumpriam missões e estabeleciam conexões entre diferentes mundos. Os investigadores identificaram uma dinâmica semelhante no esquema criminoso.
As mulheres atuavam como elo entre integrantes presos e membros em liberdade. Elas transportavam drogas, dinheiro e informações que sustentavam as atividades da organização criminosa.







