O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), causou espanto ao participar, neste domingo (6), de uma manifestação liderada por Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista. Durante o evento, Nunes classificou o movimento como um “ato humanitário” e defendeu publicamente o Projeto de Lei da Anistia, que pretende perdoar os condenados pelos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, ele afirmou que pretende pressionar os deputados do MDB a votar a favor da proposta.
Apoio inusitado revela mudança de estratégia política
Embora até então mantivesse um perfil discreto e institucional, Ricardo Nunes mudou de postura ao subir no palanque bolsonarista. Com isso, ele sinalizou uma tentativa clara de se aproximar da base conservadora, especialmente com as eleições municipais se aproximando. “Como prefeito da maior cidade da América Latina, vou lutar para que os deputados do MDB assinem a anistia”, declarou. Dessa forma, Nunes buscou se firmar como interlocutor entre diferentes forças políticas, embora tenha provocado reações negativas dentro de seu próprio partido.
Projeto de anistia reacende embate entre Legislativo e Judiciário
Por outro lado, o PL da Anistia desperta forte resistência entre juristas e parlamentares. Isso porque o projeto visa anular condenações já decididas pelo Supremo Tribunal Federal, algumas delas com penas superiores a 15 anos. Consequentemente, críticos alegam que a proposta compromete a autonomia do Judiciário e enfraquece a responsabilização por atos que atacaram diretamente as instituições democráticas. Portanto, a tramitação do projeto se tornou mais do que uma pauta jurídica: virou uma questão institucional delicada.
Bolsonaro tenta manter capital político mesmo fora da eleição
Enquanto isso, Jair Bolsonaro demonstrou que, apesar de inelegível, ainda exerce forte influência sobre uma parcela do eleitorado. Ele não apenas convocou a manifestação como liderou os discursos ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Dessa maneira, o ex-presidente utilizou o ato como vitrine para reforçar sua base e pautar o debate público. Além disso, ao atrair figuras institucionais como Ricardo Nunes, Bolsonaro indicou que ainda interfere no xadrez político nacional.
Perguntas frequentes
Pode atrair votos à direita, mas afastar o centro e a esquerda moderada.
Para especialistas, a proposta ameaça o equilíbrio entre os Poderes.
Mesmo fora das eleições, Bolsonaro segue pautando decisões e alianças.









