Mercado prevê dólar a R$ 5,34, inflação maior e juros elevados após revisão do Boletim Focus

Fabíola Maria Costa Silva •

O mercado financeiro elevou as projeções para o dólar, a inflação e a taxa básica de juros no Brasil, enquanto reduziu a expectativa de crescimento da economia. Os dados constam no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (3). Para 2026, a previsão do dólar saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto a inflação estimada passou de 5,19% para 5,22%. Já a projeção para a taxa Selic subiu de 13,25% para 13,50% ao ano. As revisões indicam maior cautela dos agentes financeiros em relação ao cenário econômico brasileiro.

Inflação preocupa e projeções sobem até 2029

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, apresentou revisões para cima em todos os anos analisados.

Para 2027, a estimativa avançou de 4,34% para 4,76%, completando três semanas consecutivas de alta.

Em 2028, a projeção passou de 3,75% para 4%, enquanto a previsão para 2029 subiu de 3,51% para 3,98%.

Esses números representam expectativas do mercado, e não aumentos de preços já registrados.

A inflação elevada reduz o poder de compra da população, especialmente quando os salários não acompanham o aumento dos preços.

Dólar pode chegar a R$ 5,45 nos próximos anos

O mercado também revisou as expectativas para a moeda americana.

Além da projeção de R$ 5,34 para 2026, os analistas passaram a prever dólar a R$ 5,40 em 2027 e 2028.

Para 2029, a estimativa avançou de R$ 5,28 para R$ 5,45.

A valorização do dólar pode aumentar os custos de produtos importados, combustíveis e insumos utilizados pela indústria.

Por outro lado, empresas exportadoras, incluindo produtores do agronegócio de Mato Grosso, podem receber mais reais pelas vendas realizadas em moeda estrangeira.

Entretanto, o benefício depende dos custos de produção e das condições comerciais.

Juros elevados podem dificultar crédito e investimentos

As projeções para a taxa Selic também aumentaram.

Para 2027, a expectativa passou de 11,75% para 12,50% ao ano.

Em 2028, avançou de 10% para 11%, enquanto a previsão para 2029 subiu de 10% para 10,25%.

Juros elevados costumam encarecer empréstimos e financiamentos, afetando consumidores e empresas.

Além disso, o custo do crédito pode influenciar decisões de investimento e expansão de negócios.

As estimativas, porém, não representam decisões já tomadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Crescimento da economia perde força nas projeções

O Boletim Focus também trouxe revisões negativas para o Produto Interno Bruto (PIB).

A previsão de crescimento em 2026 caiu de 1,80% para 1,76%.

Para 2027, o mercado reduziu a estimativa de 1,31% para 1,20%, na terceira semana consecutiva de queda.

Em 2028, a projeção recuou ligeiramente, de 1,81% para 1,80%.

Já para 2029, os analistas mantiveram a expectativa de crescimento em 2%.

O Focus reúne projeções de instituições financeiras e consultorias, que podem mudar conforme novos indicadores econômicos sejam divulgados.

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