Lula vai convidar Trump e Milei para posse mesmo após críticas à sua vitória nas eleições

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende convidar Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, para sua posse, marcada para 5 de janeiro de 2027, mesmo após os dois líderes criticarem sua vitória nas eleições presidenciais brasileiras. Até esta sexta-feira (30), nenhum dos dois havia parabenizado Lula pela reeleição. Apesar das divergências políticas, o governo brasileiro planeja incluir ambos na lista de convidados como parte de uma estratégia para preservar as relações diplomáticas e buscar uma aproximação com os países.

Lula quer superar divergências políticas com Trump e Milei

A decisão de convidar os dois presidentes representa uma tentativa de manter o diálogo internacional após a disputa eleitoral brasileira.

Segundo informações sobre os preparativos da cerimônia, o Palácio do Planalto pretende fazer um gesto de aproximação, mesmo diante das declarações recentes dos líderes estrangeiros.

Trump e Milei demonstraram apoio político à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, realizado no domingo (25).

O presidente brasileiro recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio conquistou 48,21%.

Apesar do resultado oficial, os dois líderes ainda não haviam enviado mensagens públicas de congratulação ao presidente reeleito.

Trump chamou eleição brasileira de desgraça

O presidente norte-americano voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro nesta quinta-feira (29).

Durante uma declaração pública, Trump classificou a eleição como “uma grande vergonha para o povo do Brasil” e também como “uma desgraça”.

Entretanto, o republicano não apresentou provas de irregularidades que comprometessem o resultado.

Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, Trump já havia levantado suspeitas sobre a votação.

Na ocasião, afirmou que “parecia mais uma eleição fraudada”.

Apesar das críticas, o presidente dos Estados Unidos também demonstrou disposição para manter o relacionamento com Lula.

“Eu gosto de Lula, eu me dou bem com ele”, declarou.

Trump também afirmou que pretende conversar com o presidente brasileiro em breve.

Milei chamou Lula de ditador comunista antes das eleições

O presidente argentino, Javier Milei, adotou uma postura ainda mais crítica durante a campanha presidencial brasileira.

Em 14 de outubro, durante um evento realizado em Washington, nos Estados Unidos, Milei manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Na ocasião, o argentino participou de uma atividade ao lado de Eduardo Bolsonaro e chamou Flávio de “meu querido amigo”.

Além disso, afirmou acreditar que o senador venceria o “ditador comunista Lula da Silva”.

Entretanto, o resultado das urnas confirmou a vitória do atual presidente brasileiro.

Mesmo após a divulgação dos números oficiais, Milei não havia parabenizado Lula até esta sexta-feira.

Posse presidencial acontecerá em 5 de janeiro de 2027

A cerimônia de posse de Lula está marcada para 5 de janeiro de 2027.

A data segue uma mudança constitucional aprovada pelo Congresso Nacional, que alterou o calendário de início dos mandatos presidenciais.

Anteriormente, os presidentes brasileiros assumiam o cargo em 1º de janeiro.

A mudança também busca facilitar a participação de autoridades estrangeiras, já que a antiga data coincidia com as comemorações de Ano-Novo.

O governo brasileiro pretende aproveitar encontros internacionais previstos para dezembro para reforçar pessoalmente os convites.

Entre as oportunidades estão a Cúpula do Mercosul e a reunião de líderes do G20.

Governo brasileiro não espera aproximação imediata com Milei

Apesar do convite, integrantes do governo Lula avaliam que uma melhora significativa na relação com Javier Milei será difícil no curto prazo.

Os dois presidentes possuem diferenças políticas e econômicas que já provocaram tensões diplomáticas.

Além disso, a Argentina terá eleições no próximo ano, circunstância que também influencia os cálculos políticos do governo argentino.

Por isso, o Planalto não trabalha com a expectativa de uma mudança imediata na postura de Milei.

Ainda assim, o convite para a posse busca manter abertos os canais de comunicação entre os dois países.

Lula aposta em diálogo com Trump para reduzir tarifas comerciais

Em relação aos Estados Unidos, a avaliação do governo brasileiro é diferente.

Integrantes do Planalto acreditam que Donald Trump poderá adotar uma postura mais pragmática após as eleições legislativas norte-americanas, previstas para novembro.

O Partido Republicano enfrenta o risco de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso.

Uma eventual mudança na composição do Legislativo poderia influenciar a capacidade de articulação política do presidente norte-americano.

Nesse cenário, Lula pretende retomar ainda em 2026 as negociações para reduzir as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O governo considera que a manutenção do diálogo comercial poderá beneficiar os dois países, independentemente das divergências entre os presidentes.

Até a divulgação das informações sobre os convites, Trump e Milei não haviam confirmado presença na cerimônia de posse de Lula.

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