Crise bilionária na França ameaça economia europeia e acende alerta de nova turbulência financeira

Fabíola Maria Costa Silva •
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A França enfrenta uma grave crise fiscal que preocupa investidores e aumenta o temor de uma turbulência econômica em outros países da Europa. Com uma dívida pública de aproximadamente 3,6 trilhões de euros, o país registra uma forte pressão sobre seus títulos públicos, enquanto protestos estudantis e disputas políticas dificultam o controle das contas do governo. Segundo informações da Bloomberg, divulgadas nesta segunda-feira (12), o cenário preocupa o mercado financeiro pela possibilidade de contágio econômico, semelhante ao que ocorreu durante a crise da dívida da Grécia, há cerca de 15 anos.

Dívida bilionária pressiona investidores e aumenta juros

Nas últimas semanas, investidores intensificaram a venda de títulos da dívida francesa, provocando uma elevação significativa dos custos de financiamento do governo. Consequentemente, os rendimentos dos papéis com vencimento em dez anos chegaram perto de 5%, antes de recuarem para 4,85%.

Além disso, a França acumula mais de cinco décadas sem registrar superávit orçamentário. As projeções indicam que a dívida pública poderá ultrapassar 120% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos 12 meses.

Outro fator preocupante envolve o pagamento de juros, que deverá superar 90 bilhões de euros em 2027, valor superior ao orçamento anual destinado à educação.

Enquanto isso, investidores acompanham a possibilidade de a instabilidade atingir outras economias europeias. Os títulos públicos da Itália e da Grécia também registraram aumento nos prêmios de risco, enquanto o euro perdeu valor diante de outras moedas internacionais.

Protestos estudantis ampliam pressão sobre governo francês

Paralelamente à crise financeira, centenas de milhares de estudantes franceses participam de manifestações para exigir melhores condições de ensino e investimentos na educação.

Os manifestantes reivindicam aproximadamente 10 bilhões de euros para enfrentar problemas como salas superlotadas, infraestrutura escolar deteriorada e falta de professores.

Entretanto, o governo enfrenta dificuldades para atender às demandas diante do crescimento da dívida pública e da necessidade de reduzir despesas.

Os protestos começaram no final de setembro e provocaram confrontos entre manifestantes e policiais. Milhares de pessoas acabaram detidas, enquanto centenas sofreram ferimentos durante os episódios de violência.

Em resposta, o governo anunciou o envio de aproximadamente 3 mil professores para unidades escolares que enfrentam falta de profissionais.

Eleições de 2027 aumentam incerteza sobre futuro econômico

A proximidade das eleições presidenciais de 2027 também amplia a preocupação dos investidores. O presidente Emmanuel Macron não poderá disputar um novo mandato, enquanto diferentes grupos políticos apresentam propostas para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas.

A instabilidade política dificulta a aprovação de medidas fiscais, especialmente diante da resistência a cortes de gastos e aumentos de impostos.

Além disso, o Banco Central Europeu acompanha os desdobramentos da crise e mantém instrumentos que poderão ajudar a estabilizar os mercados financeiros, caso seja necessário.

Apesar das preocupações, especialistas destacam que a França ainda consegue obter financiamento e possui condições diferentes das enfrentadas pela Grécia durante a crise de 2010.

O integrante do conselho executivo do Bundesbank, Michael Theurer, afirmou que a Europa ainda não enfrenta uma crise sistêmica da dívida soberana, embora os riscos tenham aumentado significativamente.

Segundo a Bloomberg, a gestora internacional Pimco mantém uma exposição reduzida aos títulos franceses diante da expectativa de continuidade das pressões fiscais e políticas sobre a segunda maior economia da União Europeia.

Fonte: Bloomberg, em reportagem publicada pelo jornal O Globo em 12 de outubro de 2026.

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