O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) criticou duramente uma possível articulação de seu próprio partido para apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados e de Davi Alcolumbre (União-AP) ao comando do Senado. Em vídeo publicado nas redes sociais neste domingo (1º), o parlamentar chamou Motta de “frouxo”, atacou a possibilidade de acordo político e afirmou que não aceitará apoiar candidatos com os quais discorda. Além disso, Zé Trovão anunciou oficialmente sua candidatura à presidência da Câmara, aumentando a pressão sobre o PL às vésperas das negociações para a escolha dos novos dirigentes do Congresso Nacional.
Deputado chama Hugo Motta de “frouxo” e critica articulações
Durante a gravação, Zé Trovão demonstrou indignação com a possibilidade de o PL apoiar a permanência dos atuais presidentes das duas Casas legislativas.
“Eu não sou obrigado a apoiar vagabundo nem pra presidente da Câmara, nem pra presidente do Senado”, declarou.
Em seguida, o parlamentar questionou as negociações que estariam ocorrendo nos bastidores de Brasília.
“Que papo furado é esse? Fazer acordo pra gente ganhar a presidência do Senado e aí apoiar o Alcolumbre, o Hugo Motta, pra ser o presidente da Câmara. Que conversa fiada é essa, gente?”
O deputado também direcionou críticas pessoais ao atual presidente da Câmara.
“Eu não vou ser governado por um presidente frouxo, mole como o Hugo Motta”, afirmou.
As declarações ocorreram em meio às discussões internas do PL sobre a estratégia para as eleições das Mesas Diretoras.
Até a divulgação das informações, o partido não havia confirmado oficialmente qualquer acordo para apoiar Motta ou Alcolumbre.
Zé Trovão anuncia candidatura à presidência da Câmara
Após publicar o vídeo, Zé Trovão oficializou sua intenção de disputar a presidência da Câmara dos Deputados.
Na noite de domingo, o parlamentar divulgou uma nota anunciando a candidatura com o lema “Transparência e Firmeza”.
A iniciativa representa uma reação às negociações que poderiam levar o PL a apoiar um candidato de outra legenda.
Durante a gravação, o deputado já havia antecipado a decisão.
“É regimental. Eu vou lançar a minha candidatura”, declarou.
Na sequência, estabeleceu uma condição para reconsiderar sua participação na disputa.
“Ou o PL lança um nome competitivo ou eu serei.”
Com a manifestação, Zé Trovão passou a defender publicamente uma candidatura própria do partido, em vez de uma composição com o atual presidente da Câmara.
Parlamentar cobra posição sobre Bolsonaro e presos do 8 de janeiro
Zé Trovão também relacionou a disputa pelo comando do Congresso às pautas defendidas por integrantes da oposição.
O deputado afirmou que o PL conquistou uma posição de força nas eleições e deveria utilizar essa representação para negociar suas prioridades.
Entre os assuntos mencionados, destacou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e das pessoas condenadas pelos atos de 8 de janeiro.
“Nós não podemos aceitar arrego pra homens que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou.
O parlamentar também acusou colegas de apresentarem justificativas falsas para defender uma eventual composição política.
“Mentira! Seus mentirosos. Nós, se for pra perder, eu prefiro perder lutando”, afirmou.
Zé Trovão ainda reforçou que não pretende aceitar uma decisão partidária apenas para garantir espaços na estrutura do Congresso.
“Eu não vou me curvar pra esta m*** desse sistema. Eu não fui reeleito pra isso.”
PL terá maior bancada da Câmara em 2027
A eleição para as presidências da Câmara e do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares eleitos em outubro tomarão posse.
O PL terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 representantes.
Já a federação formada por PT, PCdoB e PV contará com 88 deputados.
Apesar da força numérica do PL, a eleição para a presidência da Câmara depende da formação de alianças entre diferentes partidos.
Hugo Motta, que ocupa o comando da Casa desde fevereiro de 2025, busca a reeleição.
Segundo as informações divulgadas, o parlamentar reúne apoio de 15 legendas, incluindo o PT.
Nos bastidores, uma das possibilidades discutidas envolve o apoio do PL à reeleição de Motta em troca de cargos na Mesa Diretora e da presidência de comissões importantes.
Entretanto, a hipótese enfrenta resistência de integrantes da própria bancada.
Disputa no Senado também provoca divergências
Além da Câmara, o PL discute sua participação na eleição para a presidência do Senado.
O partido considera a possibilidade de lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) contra Davi Alcolumbre.
Por outro lado, Alcolumbre afirma contar com pelo menos 48 votos para permanecer no comando da Casa.
Na Câmara, os nomes de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ) também apareceram entre as possibilidades de candidatura própria do PL.
Entretanto, essas alternativas perderam força nas últimas semanas, enquanto avançaram as conversas sobre uma eventual composição com Motta.
A bancada do partido deverá se reunir nesta semana para discutir as duas disputas.
Até o momento, a direção do PL não anunciou uma decisão definitiva sobre os candidatos que apoiará em fevereiro de 2027.
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