Vorcaro se reuniu com Gilmar no STF para tratar de causa bilionária, mas ministro votou contra interesse do Master

Fabíola Maria Costa Silva

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 11 de abril de 2024, para tratar de uma disputa bilionária envolvendo precatórios de empresas do setor sucroalcooleiro. Segundo informações reveladas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo Metrópoles, Vorcaro buscava apoio para uma tese que poderia beneficiar interesses financeiros do Banco Master. O encontro efetivamente ocorreu no gabinete de Gilmar, segundo manifestação do próprio ministro. Apesar da reunião, Gilmar posteriormente votou contra o pagamento do precatório no caso da Destilaria Alcídia S/A, posição contrária ao interesse atribuído ao Master.

Encontro aconteceu dentro do STF

Segundo o gabinete de Gilmar, a audiência ocorreu às 18h do dia 11 de abril de 2024, dentro do Supremo, e contou também com advogados do Banco Master. O ministro sustenta que se tratou de uma audiência institucional para discutir o ARE 1327995, relacionado à Destilaria Alcídia S/A.

Mensagens divulgadas pela imprensa mostram que Vorcaro acertou o encontro diretamente com a secretaria do gabinete. Inicialmente, ele teria solicitado um período maior, mas recebeu a informação de que o ministro teria aproximadamente 15 minutos disponíveis.

O processo existe e tramita no Supremo sob relatoria de Edson Fachin. Os registros oficiais identificam a União como recorrente e a Destilaria Alcídia como parte recorrida.

Ex-cunhado de Gilmar tinha contrato com Vorcaro

Outro ponto revelado pelas reportagens envolve o empresário e ex-senador Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, conhecido como Chiquinho Feitosa. Na época, ele era cunhado de Gilmar e mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com Vorcaro.

Segundo as mensagens obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pela imprensa, Chiquinho orientou Vorcaro sobre a importância de estabelecer uma relação direta com Gilmar. O gabinete do ministro afirma, entretanto, que Gilmar desconhecia qualquer tratativa privada ou profissional entre o então parente e o ex-banqueiro.

A existência do contrato e da reunião não demonstra, isoladamente, favorecimento por parte do ministro.

Gilmar votou contra tese de interesse do Master

A posição adotada por Gilmar nos julgamentos é um ponto central do episódio. Segundo seu gabinete, quando a Segunda Turma analisou o processo da Destilaria Alcídia, o ministro votou contra o pagamento do precatório e acompanhou a posição defendida pela União. André Mendonça adotou o mesmo entendimento, enquanto Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli formaram a corrente vencedora favorável à empresa.

O gabinete também afirma que Gilmar manteve posicionamento contrário ao pagamento em outros processos do setor sucroalcooleiro.

A disputa tem dimensão bilionária. Estimativas da Advocacia-Geral da União citadas pelas reportagens apontam que o impacto potencial das causas envolvendo as usinas pode alcançar R$ 145 bilhões. O Banco Master possuía créditos ligados a essas empresas, o que explica o interesse econômico atribuído a Vorcaro na discussão.

As revelações surgem em meio à exposição de contatos mantidos por Vorcaro com integrantes do Judiciário e outras autoridades. No caso específico de Gilmar, porém, as informações disponíveis mostram que houve a audiência sobre uma causa de interesse do Master, mas que o voto posteriormente proferido pelo ministro contrariou a posição defendida pelo ex-banqueiro.

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