Trump sofre derrota histórica nos EUA e democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma derrota política nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). Com a apuração avançada nesta quarta-feira (4), o Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, alterando o equilíbrio de forças em Washington. O resultado representa um desafio para os dois últimos anos do mandato do republicano, que reconheceu a vitória dos adversários e afirmou que não considera o desempenho eleitoral uma rejeição pessoal ao seu governo.

Democratas assumem controle das duas Casas do Congresso

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado americano.

Segundo os números parciais divulgados nesta quarta-feira, os democratas alcançaram 54 cadeiras no Senado, enquanto os republicanos somavam 44.

Na Câmara, a oposição conquistou 225 assentos, contra 138 dos republicanos, com a apuração ainda em andamento.

Além das disputas parlamentares, os americanos também votaram para escolher governadores em 36 estados.

Os resultados indicavam 28 governos estaduais sob comando democrata e 20 republicanos, considerando o conjunto de mandatos estaduais.

Trump reconhece derrota e elogia adversários

Após a divulgação dos resultados, Donald Trump reconheceu o avanço democrata e surpreendeu ao elogiar os adversários políticos.

“Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho”, declarou o presidente em entrevista à Fox News.

Entretanto, Trump procurou afastar a responsabilidade pessoal pelo resultado e atribuiu parte do desempenho eleitoral aos integrantes do Partido Republicano.

“Eles [democratas] esperavam por isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram. Mas não encaro isso como um golpe contra mim”, afirmou.

A derrota ocorreu em meio ao desgaste da administração republicana, diante das preocupações dos eleitores com o custo de vida e o prolongamento da guerra contra o Irã.

Vitória amplia poder de fiscalização sobre o governo

Com o controle das duas Casas, os democratas passam a ocupar posições estratégicas no Congresso americano.

Na Câmara, a oposição poderá comandar comissões, solicitar documentos, convocar autoridades e ampliar a fiscalização sobre decisões do governo Trump.

Além disso, a nova composição poderá dificultar a aprovação de projetos prioritários da Casa Branca.

No Senado, os democratas também terão maior influência sobre a análise de indicações presidenciais para tribunais federais, embaixadas e cargos de alto escalão.

Resultado muda cenário político até 2028

As eleições de meio de mandato funcionam como um importante indicador da avaliação popular sobre o presidente em exercício.

A mudança na composição do Congresso deverá intensificar as negociações entre republicanos e democratas durante os próximos dois anos.

Trump ainda poderá utilizar ordens executivas dentro dos limites legais, mas enfrentará maior resistência para aprovar propostas que dependam do Legislativo.

O novo cenário também influenciará as articulações partidárias para a eleição presidencial de 2028, quando os americanos escolherão o sucessor de Trump.

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