Lula convoca Haddad, Alckmin e presidente do Banco Central para discutir dívida pública e cortes de gastos

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve reunir nesta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, integrantes de sua equipe econômica e conselheiros políticos para discutir medidas de controle da dívida pública, manutenção dos programas sociais e atração de investimentos estrangeiros. O encontro ocorre após a reeleição de Lula para um quarto mandato e diante do crescimento do endividamento brasileiro, que ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB). Entre os participantes previstos estão Fernando Haddad, Dario Durigan, Gabriel Galípolo e Geraldo Alckmin.

Lula busca alternativas para conter avanço da dívida pública

A reunião pretende discutir caminhos para equilibrar as contas do governo federal sem comprometer os benefícios sociais.

Durante o atual mandato, a dívida pública cresceu aproximadamente dez pontos percentuais em relação ao PIB, segundo os dados apresentados sobre o cenário econômico.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve defender ajustes graduais nas despesas públicas, com mudanças estruturais capazes de produzir resultados de longo prazo.

Durigan também considera importante atrair investimentos estrangeiros e rejeita medidas de controle de capitais que possam afastar investidores internacionais.

Haddad propõe mudanças nos programas sociais

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad deve apresentar propostas para reorganizar os gastos assistenciais do governo.

Uma das ideias envolve reunir diferentes benefícios sociais em uma estrutura integrada, semelhante à reorganização que deu origem ao Bolsa Família em 2003.

A proposta busca melhorar a administração dos recursos destinados à assistência social, preservando o atendimento à população.

Já o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, deve defender a autonomia da instituição e a manutenção das metas de inflação.

Na avaliação atribuída à autoridade monetária, o controle das despesas públicas pode contribuir para criar condições favoráveis à redução dos juros.

Alckmin defende corte de despesas e revisão de privilégios

O vice-presidente Geraldo Alckmin pretende apresentar medidas de contenção de gastos inspiradas em sua experiência como governador de São Paulo.

Entre as propostas estão a revisão de contratos, a redução de cargos comissionados e o corte de despesas consideradas desnecessárias.

Alckmin também defende mudanças nos supersalários do funcionalismo público, no fundo eleitoral e nas emendas parlamentares.

Segundo essa linha de avaliação, o governo precisa reorganizar suas próprias despesas antes de exigir esforços financeiros de outros setores.

Mantega critica juros altos e governo mira investimentos

O ex-ministro Guido Mantega, que também deseja participar das discussões, apresenta uma visão diferente sobre os desafios econômicos.

Para ele, os juros elevados representam um dos principais obstáculos ao crescimento, pois aumentam o custo da dívida e dificultam os investimentos produtivos.

Além do debate fiscal, Lula pretende discutir estratégias para atrair capital estrangeiro destinado à transição energética, à preservação ambiental e à exploração de minerais estratégicos, como as terras raras.

A expectativa é que esses investimentos ampliem a atividade econômica e a arrecadação federal sem exigir grandes desembolsos do Orçamento público.

Curtiu? Compartilhe

Ajuda a espalhar a notícia — manda no grupo.

Institucional