Trump reforça a ascensão da direita mundial com vitória nos EUA

Perrengue Mato Grosso

Donald Trump consolidou sua posição como símbolo da extrema direita mundial ao vencer confortavelmente as eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2024. Com 312 dos 538 delegados e 49,8% do voto popular, sua vitória reforçou o avanço global de líderes de direita e extrema direita. Segundo Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Trump representa a grande figura desse movimento, energizando suas bases ao redor do mundo.

O contexto da extrema direita global

Cristina Pecequilo aponta que a vitória de Trump reflete uma desconexão entre pautas progressistas e as demandas práticas do eleitorado. Questões como segurança pública, crise econômica e baixo poder de compra acabam ganhando respostas mais diretas em discursos nacionalistas, frequentemente utilizados pela extrema direita. “A vitória de Trump foi conquistada, apesar de seus problemas com a justiça e desvalorização da democracia. Isso se deve à maior preocupação do eleitor com os temas econômicos”, explicou.

Essa adaptação pragmática da extrema direita permite que ela ganhe espaço em diferentes países. Atualmente, líderes alinhados a esse espectro político governam na Argentina, Paraguai, Peru, Equador, Croácia, Finlândia, Itália e outros países. Na América Latina, o avanço também se deve à falta de identificação do eleitor com partidos políticos, tornando as demandas práticas o principal critério de escolha.

Impactos da vitória de Trump

A vitória de Trump revitalizou movimentos radicais da direita que estavam em compasso de espera, mas sua conquista vai além das bases radicais. Cristina Pecequilo destaca que ele também conquistou votos da classe média e de minorias que tradicionalmente apoiavam os democratas, em busca de melhorias econômicas e segurança pública.

“Quando Trump ganha, isso não acontece apenas com discursos de radicalização. Ele conquista eleitores desencantados com a economia e com o poder de compra reduzido. Esse cenário energiza as bases globais da extrema direita”, explicou a especialista.

O avanço na América Latina

Na América Latina, países como Argentina, Paraguai, Peru e Equador seguem sob governos de extrema direita. Segundo Cristina, o avanço desse movimento é impulsionado pela crise econômica e pela desconexão das pautas progressistas com as demandas populares. “O eleitor não se identifica com ideologias, mas busca quem atende suas demandas”, afirmou.

A especialista alerta que, embora o crescimento da extrema direita esteja atrelado a crises, ele também ameaça regimes democráticos e direitos fundamentais. “O que assusta na América Latina é o tamanho desse avanço. Ele aproveita crises econômicas para criar condições de ameaça aos direitos e à democracia”, concluiu.

O que explica a vitória de Donald Trump em 2024?

A vitória foi impulsionada pela preocupação do eleitor com temas econômicos, segurança pública e imigração ilegal, apesar de seus problemas com a justiça.

Por que a extrema direita tem crescido mundialmente?

Ela se adapta às crises econômicas e oferece respostas práticas às demandas do eleitorado, como segurança e poder de compra.

Como a extrema direita avança na América Latina?

Ela se aproveita da crise econômica e da desconexão do eleitor com os partidos tradicionais, priorizando pautas conservadoras e pragmáticas.

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