Trump diz que eleição brasileira pareceu fraudada, mas afirma que gosta de Lula

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26) a eleição presidencial brasileira, que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25). Durante uma conversa com jornalistas, Trump afirmou que a votação pareceu fraudulenta e classificou o processo eleitoral como “terrível”. Entretanto, o republicano não apresentou provas de irregularidades e destacou que mantém um bom relacionamento com Lula. As declarações ocorreram após Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, anunciar que pretende pedir a anulação do resultado.

Trump critica eleição brasileira e fala em possível fraude

Ao responder perguntas sobre o resultado das eleições no Brasil, Donald Trump afirmou que acompanhou a votação e demonstrou desconfiança em relação ao processo.

“Não tomei partido, mas a imagem que passou para o mundo foi péssima; é mais uma eleição — e você sabe, eleições precisam ser inquestionáveis ​​—, por isso, para mim, a situação pareceu muito ruim”, declarou.

Em seguida, o presidente americano reforçou suas críticas.

“Não apoiei ninguém nem nada, mas acompanhei a eleição e ela pareceu tão corrupta”, acrescentou.

Apesar das acusações, Trump não apresentou evidências de fraude. As autoridades eleitorais brasileiras afirmaram que o processo ocorreu de maneira regular.

Presidente americano afirma que gosta de Lula

Mesmo após questionar a votação, Trump fez declarações positivas sobre sua relação com o presidente brasileiro.

Questionado se pretendia tomar alguma medida em relação ao resultado, o republicano respondeu que não governa o Brasil.

“Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a forma como a apuração foi feita passou uma impressão muito ruim”, afirmou.

Até o momento das declarações, o governo dos Estados Unidos ainda não havia reconhecido oficialmente a reeleição de Lula.

Por outro lado, países como China, França, Espanha, Portugal e Alemanha já haviam reconhecido o resultado e parabenizado o presidente brasileiro.

Prorrogação da votação provocou questionamentos

Uma das principais controvérsias envolvendo o segundo turno foi a decisão de ampliar o horário de votação das 17h para as 19h.

As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram pedidos de prorrogação devido a dificuldades enfrentadas por eleitores.

A campanha petista apontou problemas no transporte público, enquanto a equipe de Flávio mencionou chuvas intensas em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a ampliação do horário às 16h57 de domingo.

Entretanto, a decisão entrou nos sistemas da Corte às 17h01, quando algumas seções eleitorais já haviam encerrado a votação.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu temporariamente a apuração e posteriormente retomou a divulgação dos resultados.

TSE afirma que não houve irregularidades na eleição

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, declarou que a prorrogação do horário não comprometeu a segurança da eleição.

“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, afirmou.

Segundo os dados divulgados, apenas 34.330 votos foram registrados depois das 17h, o equivalente a 0,027% dos aproximadamente 127,8 milhões de votos computados.

Lula conquistou cerca de 64,2 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu aproximadamente 59,8 milhões.

A diferença entre os candidatos chegou a 4,4 milhões de votos, número muito superior ao total registrado durante o horário adicional.

Flávio Bolsonaro anuncia que pretende contestar resultado

Após a divulgação da vitória de Lula, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou a intenção de solicitar a anulação da eleição.

Entretanto, partidos que apoiaram sua candidatura, como União Brasil, Republicanos e Podemos, reconheceram a vitória do petista.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também defenderam o respeito ao resultado eleitoral.

Alcolumbre classificou a reeleição de Lula como uma “vitória da democracia” e pediu respeito à “vontade soberana do povo”.

Enquanto isso, as declarações de Trump ampliaram a repercussão internacional da disputa presidencial brasileira, embora as autoridades eleitorais não tenham identificado irregularidades capazes de comprometer o resultado.

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