Alcolumbre diz ter 48 votos para continuar no comando do Senado e descarta impeachment de Alexandre de Moraes

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a interlocutores em Brasília que já conta com pelo menos 48 votos para conquistar a reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027. Segundo relatos de pessoas próximas ao senador, ele também deixou claro que não pretende colocar em votação pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente aqueles direcionados a Alexandre de Moraes. A posição contraria uma das principais reivindicações de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorre em meio à articulação do Partido Liberal (PL) para disputar a presidência do Senado.

Alcolumbre aposta em apoio do Centrão para vencer disputa

A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares eleitos em outubro tomarão posse. Para conquistar o cargo, um candidato precisa receber pelo menos 41 votos entre os 81 senadores. Caso confirme o apoio de 48 parlamentares mencionado aos interlocutores, Alcolumbre terá votos suficientes para vencer a disputa.

Entretanto, o PL chegará à próxima legislatura com 29 senadores, formando a maior bancada da Casa. O partido pretende lançar Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno realizado no domingo (25). Alcolumbre, por sua vez, aposta na articulação com partidos do Centrão para manter o comando do Legislativo.

Impeachment de Moraes vira ponto de conflito com bolsonaristas

A resistência de Alcolumbre em pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF representa um dos principais obstáculos para uma aproximação com a bancada bolsonarista. Segundo interlocutores, o presidente do Senado afirmou que não pretende dar andamento às propostas direcionadas a Alexandre de Moraes.

O senador eleito por São Paulo Guilherme Derrite (PP) já declarou que não apoiará a reeleição de Alcolumbre. Derrite mencionou Rogério Marinho e Tereza Cristina (PP-MS) como possíveis alternativas para a presidência da Casa. O parlamentar também critica a falta de andamento dos pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo.

Rogério Marinho pode enfrentar Alcolumbre novamente

Rogério Marinho já disputou a presidência do Senado em fevereiro de 2023, quando enfrentou Rodrigo Pacheco, então filiado ao PSD de Minas Gerais. Na ocasião, Pacheco venceu a eleição por 49 votos a 32.

Alcolumbre retornou à presidência do Senado em fevereiro de 2025, quando recebeu 73 votos. Antes disso, comandou a instituição entre 2019 e 2021. Com o início de uma nova legislatura em 2027, o senador poderá disputar novamente o cargo. Apesar das articulações, o PL ainda não oficializou a candidatura de Marinho.

Indicação de Rodrigo Pacheco ao STF também entra nas negociações

Além da disputa pelo Senado, interlocutores afirmam que Alcolumbre pretende defender a indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal. A vaga surgiu após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Em abril, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, apresentada pelo presidente Lula, por 42 votos a 34. Pacheco assumiu uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU) em 30 de setembro, após indicação de Alcolumbre. Nos bastidores de Brasília, parlamentares relacionam a possível indicação de Pacheco ao STF às negociações políticas entre o presidente do Senado e o governo federal.

Entre os episódios mencionados está a aprovação, em 14 de outubro, da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. O Senado aprovou o texto por 75 votos a 1. A escolha do próximo ministro do Supremo dependerá de uma nova indicação presidencial, seguida de sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação no plenário do Senado. Enquanto isso, Alcolumbre mantém as articulações para a eleição de fevereiro, e o PL busca reunir apoio para apresentar um candidato próprio ao comando da Casa.

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