Servidora que comemorava vitória de Lula suspeita de atropelamento por divergência política em Cáceres; veja vídeo

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A técnica judiciária Rosemar da Silva Santos, de 49 anos, formalizou nesta terça-feira (3) uma representação criminal contra Gilmar Aguilhera Prenzler, de 38, apontado como motorista do carro que a atropelou durante uma comemoração pela vitória de Lula, em 25 de outubro, em Cáceres (MT).

A vítima suspeita que o atropelamento tenha sido motivado por divergências políticas e questiona a ausência da suspeita de omissão de socorro na investigação. O caso é apurado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A instituição afirma que, até o momento, não identificou indícios de motivação política nos fatos.

Vítima contesta versão apresentada pelo motorista

O atropelamento aconteceu por volta das 22h50 de 25 de outubro, na Rua 13 de Junho, nas proximidades da Praça Barão do Rio Branco e do restaurante e pizzaria Pipoca, na região central de Cáceres.

Rosemar participava de uma comemoração política e caminhava com uma amiga em direção ao local onde havia estacionado o carro quando um veículo a atingiu por trás.

Segundo as informações apresentadas no caso, o automóvel era um Chevrolet Onix branco alugado e transportava várias pessoas. O boletim de ocorrência relata que o motorista deixou o local após o impacto.

Pessoas que estavam nas proximidades ajudaram Rosemar, que perdeu a consciência, e uma amiga a levou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Em depoimento à Polícia Civil, Gilmar afirmou que deixou o local porque Rosemar e outras pessoas próximas aparentavam estar embriagadas. A servidora nega que estivesse sob efeito de álcool. Ela afirma que acabara de sair da comemoração e seguia acompanhada de uma amiga até o carro.

Para Rosemar, a justificativa apresentada pelo motorista tenta explicar por que ele não permaneceu no local para prestar socorro. Ela também contesta a afirmação de Gilmar de que teria descido do veículo para perguntar se precisava de ajuda.

Rosemar questiona falta de contato e omissão de socorro

A vítima afirma que o motorista declarou à polícia que já a conhecia, pois ambos tinham pessoas em comum no círculo de convivência, e que acompanhou a repercussão do caso pela imprensa.

Mesmo assim, segundo Rosemar, ele não a procurou nem se apresentou espontaneamente às autoridades. Ela diz que a Polícia Civil o localizou após realizar diligências.

“Por que não me procurou? Por que não se apresentou? Quando fiz o exame de corpo de delito, o perito disse que eu tive muita sorte de não ter batido a cabeça. […] Ele nem teve a capacidade de me ligar. Ou seja, arrependimento zero e ainda mentiu dizendo que foi me perguntar se precisava de ajuda”, afirmou.

Ao formalizar a representação, Rosemar também criticou o enquadramento inicial do caso como lesão corporal culposa, sem a inclusão da suspeita de omissão de socorro. Ela disse que saiu da delegacia insatisfeita com a condução do atendimento.

“Saí muito chateada da delegacia. Me senti desrespeitada, como se fosse um ato insignificante, porque eles estão cientes de que ele não prestou socorro. Então, por que não colocaram ao menos a omissão?”, questionou.

Vítima aponta possível motivação política

Rosemar também pede que a investigação considere elementos que, segundo ela, podem ajudar a esclarecer uma possível motivação política. A servidora afirma que apresentou capturas de tela de publicações do perfil de Gilmar no Instagram que, em sua avaliação, demonstrariam apoio político ao então candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo a vítima, a Polícia Civil retirou esses registros do conjunto de provas. Ela também afirma que reportagens sobre seu próprio posicionamento político foram anexadas ao procedimento. Por isso, questiona o tratamento dado às publicações e sustenta que os dois lados deveriam receber o mesmo critério de análise.

A servidora relata ainda que recebeu comentários de ódio nas redes sociais depois que o acidente ganhou repercussão associado à política. Ela contesta a exposição de seu posicionamento e pede esclarecimentos sobre a consideração das publicações atribuídas ao motorista.

Procurada, a Polícia Civil confirmou o registro do boletim de ocorrência e informou que adotou as providências cabíveis. A instituição declarou que ouviu as partes envolvidas e que, até o momento, não identificou indícios de motivação ou conotação política nos fatos.

A Polícia Civil acrescentou que Rosemar pode procurar a Corregedoria da instituição caso considere necessário apresentar reclamação, denúncia ou questionamento sobre a atuação dos policiais responsáveis pelo caso.

Atropelamento deixou fraturas no rosto e no corpo

Após o atropelamento, Rosemar recebeu atendimento na UPA e, em seguida, foi encaminhada ao Hospital Regional de Cáceres. Exames de tomografia identificaram fraturas nas paredes anterior e posterior do seio maxilar esquerdo, além de uma fratura no assoalho da órbita esquerda.

A vítima também relatou fraturas nas mãos e no pé. Em licença médica, ela continua em tratamento e aguarda a redução do inchaço no rosto para passar por uma nova avaliação da equipe de cirurgia bucomaxilofacial.

A descrição das imagens de uma câmera de segurança fornecida para esta reportagem mostra uma rua comercial, veículos estacionados e carros circulando. No entanto, o material descrito não permite identificar com segurança o instante da colisão, o motorista ou o veículo envolvido.

O relógio exibido na gravação indica uma data aparentemente desconfigurada, que não deve ser usada para estabelecer quando as imagens foram feitas.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam na delegacia responsável pelo caso. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias do atropelamento e as questões apresentadas pela vítima, sem que a suspeita de motivação política seja tratada como confirmada.

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