Safra de trigo despenca em Mato Grosso e cenário nacional aumenta alerta para custos e importações

Fabíola Maria Costa Silva
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A produção de trigo enfrenta um cenário de retração no Brasil, e Mato Grosso também sente os efeitos da redução da safra. A menor disponibilidade do cereal acende um alerta para a indústria, que acompanha o aumento da dependência de importações e os possíveis impactos nos custos de abastecimento.

No cenário nacional, a área destinada ao trigo na temporada 2026/27 é a menor desde 2017. Dados recentes indicam que o país deverá ampliar a necessidade de buscar o produto no mercado internacional para complementar a oferta doméstica.

Para Mato Grosso, o cenário ganha importância porque o estado, embora seja referência nacional na produção de grãos como soja, milho e algodão, possui participação menor na triticultura e enfrenta desafios para ampliar a produção do cereal.

Mato Grosso sente redução na produção

A retração da safra coloca a produção mato-grossense de trigo em atenção, especialmente diante da necessidade brasileira de aumentar a disponibilidade interna do cereal.

Enquanto Mato Grosso mantém protagonismo em diferentes culturas agrícolas, o trigo ainda ocupa uma área relativamente pequena dentro da produção estadual.

A redução da produção brasileira ocorre justamente em um momento no qual a disponibilidade do cereal no mercado interno está mais restrita.

Além disso, compradores acompanham a chegada da nova safra enquanto vendedores adotam cautela nas negociações.

Brasil deve aumentar dependência do trigo importado

O cenário não está restrito a Mato Grosso. A redução da área cultivada atinge a produção nacional e deve aumentar a necessidade de importações.

Estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que o Brasil poderá importar 7,5 milhões de toneladas de trigo entre outubro de 2026 e setembro de 2027.

Caso a projeção se confirme, o país ficará entre os quatro maiores importadores mundiais do cereal.

O trigo estrangeiro já ganhou competitividade no mercado brasileiro. Em julho, a oferta restrita de lotes nacionais de qualidade superior favoreceu o avanço das importações, principalmente diante dos preços mais competitivos do produto vindo do exterior.

Menor oferta coloca indústria em alerta

A redução da produção preocupa principalmente pela dependência brasileira do trigo para atender à demanda da indústria de moagem.

Com menor oferta doméstica, o abastecimento passa a depender ainda mais das condições do mercado internacional, incluindo preços, câmbio e custos logísticos.

As cotações do trigo no mercado brasileiro também apresentam pressão diante da menor disponibilidade no mercado spot.

Para Mato Grosso, o cenário reforça a importância de acompanhar a evolução da nova safra e os custos de transporte. O estado já enfrenta fretes agrícolas em patamares elevados, fator que pode ganhar ainda mais peso quando produtos precisam percorrer grandes distâncias até os centros consumidores.

A combinação entre menor produção brasileira, necessidade de importações e custos logísticos mantém o mercado de trigo em alerta durante a temporada 2026/27.

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