PF concentrou pedidos sobre Dark Horse em Dino enquanto Mendonça relatava investigação ligada ao financiamento do filme

Fabíola Maria Costa Silva

A Polícia Federal (PF) concentrou no gabinete do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedidos de diligências relacionados à investigação sobre possíveis desvios de emendas parlamentares envolvendo estruturas ligadas ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo apuração da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, os investigadores não encaminharam essas solicitações a André Mendonça, que já relatava outro procedimento envolvendo o financiamento da produção. Os dois ministros, portanto, passaram a conduzir frentes distintas relacionadas ao documentário. Registros do STF confirmam que Mendonça é relator de procedimento distribuído por prevenção em julho e que autorizou medidas solicitadas pela PF naquele processo.

Dino passou a conduzir frente envolvendo emendas

Flávio Dino concentra no Supremo processos relacionados à fiscalização e aplicação de emendas parlamentares. Dentro dessa frente, o ministro autorizou a PF a investigar recursos públicos que teriam chegado a entidades e empresas relacionadas à produção de “Dark Horse”.

Antes da Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (10), Dino também solicitou à Polícia Civil de São Paulo informações de outra investigação envolvendo Karina Gama, proprietária da produtora responsável pelo documentário. Os dados foram encaminhados à PF em 26 de agosto.

A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão e investiga suspeitas relacionadas ao uso de recursos provenientes de emendas parlamentares. As apurações permanecem em andamento e não representam condenação dos investigados.

Mendonça já analisava outra ligação com Dark Horse

Paralelamente, André Mendonça aparece como relator de outro procedimento relacionado ao financiamento do filme. O ministro também homologou, na quarta-feira (9), acordo de colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, o empresário afirmou ter participado de repasses de recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master, incluindo valores destinados à produção.

A existência dessas duas frentes ajuda a explicar por que procedimentos relacionados ao mesmo filme aparecem sob relatorias diferentes no Supremo. Não há, porém, nas informações públicas consultadas, uma manifestação oficial da PF afirmando que escolheu Dino com a finalidade de afastar Mendonça das diligências.

Divisão das investigações ganha peso após crise no STF

A distribuição dos casos ganhou maior repercussão depois das decisões envolvendo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Mendonça determinou seu afastamento, enquanto Dino posteriormente ordenou sua reintegração ao analisar os impactos da medida sobre investigações sob sua própria relatoria.

Ao recorrer a Dino, Andrei argumentou que o afastamento poderia comprometer justamente providências relacionadas à investigação sobre “Dark Horse”, incluindo acesso a materiais e organização da equipe responsável pelas diligências.

Dino sustentou que sua decisão buscava preservar a execução das determinações nos processos sob sua responsabilidade. O Regimento Interno do STF prevê que processos relacionados podem gerar prevenção do relator, mas a definição da competência depende das características e da conexão de cada procedimento.

Assim, embora a apuração jornalística indique que a PF priorizou o gabinete de Dino nos pedidos ligados à frente das emendas, os registros disponíveis mostram investigações distintas relacionadas a “Dark Horse” sob responsabilidade de Dino e Mendonça.

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