Mauro Vieira cobra fim imediato de ataques de Milei e condiciona normalização da relação com Argentina

Perrengue Mato Grosso

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que o governo da Argentina interrompa imediatamente os ataques direcionados ao Brasil para que os dois países possam avançar na normalização das relações diplomáticas. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o chanceler brasileiro afirmou que existe possibilidade de superar a atual crise, mas condicionou uma reaproximação ao fim das críticas feitas pelo governo do presidente Javier Milei.

Chanceler cobra mudança de postura da Argentina

Segundo Mauro Vieira, Brasil e Argentina podem restabelecer uma relação diplomática normal, desde que cessem as manifestações consideradas ofensivas pelo governo brasileiro. A declaração ocorre em meio a um período de forte desgaste entre Brasília e Buenos Aires.

Os atritos aumentaram após declarações de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O governo brasileiro passou a tratar as manifestações do presidente argentino como um problema diplomático, enquanto integrantes do governo Milei defendem que divergências políticas não deveriam prejudicar os interesses estratégicos compartilhados pelos dois países.

Apesar da escalada verbal, a manifestação de Vieira indica que o Itamaraty considera possível reconstruir o diálogo caso haja uma mudança na postura argentina.

Relações estão sob comando de encarregados de negócios

Mauro Vieira também destacou que, diante da crise, as relações diplomáticas entre os países estão atualmente sendo conduzidas por encarregados de negócios.

Esse nível de representação ocorre enquanto Brasil e Argentina atravessam um momento de distanciamento político provocado pelas sucessivas declarações públicas envolvendo integrantes dos dois governos.

A crise ganhou dimensão ainda maior porque Brasil e Argentina mantêm uma relação estratégica na América do Sul, com vínculos comerciais, políticos e institucionais construídos ao longo de décadas.

Além disso, ambos integram o Mercosul, bloco no qual decisões relevantes dependem da articulação entre seus membros.

Crise coloca relação bilateral sob pressão

As diferenças ideológicas entre Lula e Milei já provocaram episódios de tensão desde a chegada do argentino à Presidência. Entretanto, as recentes declarações contra integrantes do governo brasileiro e do STF ampliaram o desgaste.

Agora, a posição apresentada pelo chanceler estabelece uma condição clara para uma eventual distensão: a interrupção dos ataques.

Ao mesmo tempo, Vieira deixou aberta a possibilidade de retomada da normalidade diplomática. Dessa forma, o governo brasileiro sinaliza que não considera o atual afastamento necessariamente permanente, mas espera uma mudança de comportamento de Buenos Aires antes de avançar na reaproximação.

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