A lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário e biólogo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantinha contato frequente com Swedenberger Barbosa, conhecido como Berge, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual assessor da Presidência da República. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (10), pessoas que conviveram com Roberta na pasta afirmam que ela alegava possuir influência sobre a liberação de recursos federais da Saúde destinados a estados e municípios.
Relação com número 2 do Ministério da Saúde
Swedenberger ocupou o segundo posto mais importante do Ministério da Saúde entre janeiro de 2023 e março de 2025. Depois, deixou a pasta e passou a trabalhar como assessor da Presidência da República, dentro do Palácio do Planalto.
A proximidade de Luchsinger com o então secretário-executivo teria sido percebida por pessoas que trabalharam no ministério. A própria lobista chegou a publicar, em março de 2024, um elogio público ao trabalho de Swedenberger e da então ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Um dos episódios relatados envolve R$ 40 milhões destinados ao Fundo Estadual de Saúde do Maranhão. O dinheiro estava reservado, mas permanecia retido devido à ausência de uma resolução necessária para liberar o pagamento. A pendência acabou solucionada e os recursos chegaram ao fundo estadual em agosto de 2025.
R$ 40 milhões entram no centro do relato
Segundo duas fontes ouvidas pela reportagem, Swedenberger teria telefonado posteriormente para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e atribuído a ele próprio e a Roberta Luchsinger participação na liberação dos R$ 40 milhões. Questionado sobre o episódio, Brandão afirmou não ter conhecimento sobre o assunto.
A verba havia sido solicitada anteriormente e seria destinada a procedimentos de média e alta complexidade. Portanto, o relato sobre uma suposta atuação de Luchsinger não significa, por si só, que tenha ocorrido irregularidade na liberação ou no pagamento dos recursos.
Outro ex-assessor de Lula aparece no caso
A reportagem também cita Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Ele também teria atuado na liberação de verbas enquanto ocupava funções próximas ao presidente.
Marcola teve despesas pessoais pagas por Roberta Luchsinger, segundo informações já reveladas anteriormente. Ele nega qualquer irregularidade e afirma que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal feito pela lobista.
As informações ampliam os questionamentos sobre a circulação e a influência atribuída a Luchsinger em espaços do governo federal. Até o momento, contudo, os relatos apresentados não constituem conclusão de que ela ou Swedenberger tenham cometido crime ou irregularidade.
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