Mais de dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), peixes da bacia do Rio Doce ainda apresentam alterações associadas aos impactos ambientais do desastre. Um levantamento conduzido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) identificou animais com tumores, mudanças físicas e problemas no desenvolvimento de larvas. Os pesquisadores também encontraram ovos sem condições de desenvolvimento. Além das alterações biológicas, parte das amostras apresentou substâncias contaminantes em níveis superiores aos parâmetros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar de alguns indicadores ambientais mostrarem recuperação, o estudo não permite afirmar se os peixes da região são seguros para consumo humano.
Pesquisa identifica alterações nos peixes
O levantamento da Ufes encontrou diferentes sinais de comprometimento da vida aquática na bacia do Rio Doce. Entre os resultados estão tumores e alterações físicas nos peixes, além de problemas durante o desenvolvimento de larvas. Os pesquisadores também observaram ovos que não apresentavam condições de desenvolvimento. Esses resultados indicam que os efeitos ambientais do desastre ainda aparecem em organismos que vivem no ecossistema atingido.
Estudo não avalia segurança para consumo
Embora parte das amostras tenha apresentado contaminantes acima dos parâmetros da Anvisa, a pesquisa não investigou diretamente os riscos da ingestão desses peixes por seres humanos. Por isso, os resultados não permitem concluir se o pescado da região está próprio ou impróprio para alimentação. A avaliação da segurança alimentar não faz parte dos objetivos do levantamento. Além disso, os pesquisadores identificaram recuperação em alguns indicadores ambientais. No entanto, essa melhora não significa que todos os impactos tenham desaparecido.
Governo estabelece regras para retomada da pesca
Enquanto os efeitos do desastre continuam em acompanhamento, o governo federal estabeleceu novas regras para permitir a retomada da pesca profissional em uma área do litoral próxima à foz do Rio Doce. A atividade estava proibida nesse trecho havia mais de dez anos, desde a contaminação provocada pelos rejeitos da barragem de Fundão, em Mariana. A retomada ocorre em meio ao acompanhamento dos impactos ambientais. No entanto, os resultados da pesquisa não permitem usar a recuperação de alguns indicadores como confirmação de que os peixes estão seguros para consumo humano.
Créditos da capa: Metrópoles
Vídeo via: Metrópoles
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