A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) voltou a denunciar, em suas redes sociais, episódios de violência política de gênero praticados dentro do Congresso Nacional. Em um vídeo publicado nesta semana, ela criticou diretamente parlamentares da extrema direita que, segundo ela, utilizam o grito, o desrespeito e a intimidação como estratégia de silenciamento contra mulheres eleitas democraticamente.
A fala da deputada viralizou, com milhares de curtidas e compartilhamentos, e reacendeu o debate sobre o machismo estrutural presente na política institucional brasileira. A crítica foi feita especialmente durante discussões sobre projetos de lei voltados à proteção das mulheres contra a violência.
O paradoxo de legislar sobre a dor alheia
Segundo Fernanda, é um contrassenso que homens com histórico de posturas agressivas sejam os mesmos que tentam legislar sobre temas como violência doméstica e direitos das mulheres. A deputada acusa determinados parlamentares de tentarem esvaziar leis de proteção, ao mesmo tempo em que protagonizam episódios de desrespeito contra deputadas no plenário.
Casos de violência política de gênero não são novos na Câmara. Em março deste ano, uma sessão foi suspensa após parlamentares mulheres denunciarem ataques verbais e tentativas de intimidação por colegas homens. Muitas vezes, o desrespeito é naturalizado e ignorado pelas lideranças da Casa.
A violência que não aparece no boletim
A chamada violência política de gênero vai além das agressões físicas. Ela envolve assédio moral, desqualificação constante, silenciamento e apagamento da atuação parlamentar de mulheres, especialmente as de esquerda e negras.
Essa prática já levou a ONU Mulheres e a Câmara dos Deputados a firmarem acordos para monitorar e combater esse tipo de violência. Mesmo assim, muitos casos seguem sem punição ou visibilidade.
A resposta política das mulheres eleitas
Fernanda e outras parlamentares têm se unido em bancadas suprapartidárias para denunciar abusos e barrar retrocessos em políticas públicas voltadas às mulheres. “Não nos intimidam”, disse a deputada, em tom firme, alertando que a presença feminina na política é uma conquista que não será apagada pelo grito dos que se sentem ameaçados por ela.
Perguntas e respostas
- O que é violência política de gênero?
É o conjunto de ações que buscam deslegitimar e silenciar mulheres no exercício de cargos políticos. - Quem são os principais alvos dessa violência?
Mulheres parlamentares, principalmente de esquerda, negras e defensoras de pautas feministas. - Como o Congresso tem respondido a essas denúncias?
Com medidas pontuais, mas ainda insuficientes para combater a impunidade e proteger as vítimas.



