Lula tenta blindar 7 de Setembro de disputa eleitoral enquanto Flávio leva confronto com Moraes às ruas

Fabíola Maria Costa Silva

O 7 de Setembro de 2026 será marcado por estratégias opostas dos dois principais candidatos à Presidência da República. Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa do desfile cívico-militar com uma programação voltada à soberania nacional, combate à violência contra as mulheres e Copa do Mundo Feminina de 2027. Já Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Avenida Paulista, em São Paulo, para liderar uma manifestação de oposição ao governo e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A cerimônia oficial na Esplanada dos Ministérios começa às 9h e terá aproximadamente duas horas de duração. O governo pretende adotar um formato considerado mais sóbrio e evitar símbolos diretamente ligados à campanha eleitoral. A primeira-dama Janja Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministros e outras autoridades devem acompanhar o desfile.

Governo tenta evitar questionamentos na Justiça Eleitoral

A organização do evento oficial passa por acompanhamento jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU). O objetivo é reduzir riscos de questionamentos sobre eventual utilização da estrutura pública para promoção eleitoral da chapa de Lula.

Ministros e apoiadores deverão evitar elementos ligados diretamente ao PT, como adesivos com o número 13 e símbolos predominantemente vermelhos. Em contrapartida, a cerimônia utilizará as cores verde e amarelo e terá como mote “Soberania: A Força que Une o Brasil”.

A programação também prevê a participação de atletas ligadas à Seleção Brasileira feminina de futebol e mensagens de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Flávio transforma data em ato contra Lula e Moraes

Enquanto o governo tenta afastar o caráter eleitoral da cerimônia em Brasília, Flávio Bolsonaro convocou apoiadores para uma manifestação na Avenida Paulista a partir das 15h.

O ato inicialmente utilizaria o slogan “É Agora ou Nunca”, mas a convocação passou a destacar o chamado “Fora, Lula, Fora, Moraes”.

A mudança ocorreu após a divulgação de informações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desde então, Flávio intensificou as críticas ao ministro do STF e passou a defender publicamente sua saída do cargo e a abertura de investigações sobre sua atuação.

Pesquisas mostram disputa apertada pelo Planalto

O confronto político também ocorre em um cenário eleitoral competitivo.

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3) apontou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 33%. Augusto Cury (Avante) apareceu com 8%.

Em eventual segundo turno, Lula marcou 46% e Flávio 44%, diferença equivalente à margem de erro de dois pontos percentuais.

Já a pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2) mostrou Lula com 37%, Flávio com 30% e Augusto Cury com 10% no primeiro turno. No segundo turno, Lula apareceu numericamente à frente, com 42%, contra 41% de Flávio, em situação de empate técnico.

Além dos dois principais candidatos, Augusto Cury programou uma caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ronaldo Caiado (PSD) deve participar de agenda em Goiás, enquanto Romeu Zema (Novo) também terá compromisso político em São Paulo.

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