A Polícia Civil encontrou vídeos gravados por Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, durante o período em que ela permaneceu foragida na Bolívia. Nas imagens, gravadas em 2026, ela aparece em festas e mostra bebidas caras. Os investigadores localizaram os vídeos após prenderem a mulher nesta terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra.
Angeliquinha permaneceu mais de um ano fora do alcance da Justiça depois de fugir da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em 17 de agosto de 2025. A Polícia Civil aponta a mulher como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso.
A prisão ocorreu após a Polícia Civil de Mato Grosso trocar informações com autoridades bolivianas. Equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência Estadual de Polinter participaram das diligências que levaram à localização da foragida.
Investigação aponta atuação no extremo norte de Mato Grosso
A Polícia Civil aponta Angeliquinha como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso. As investigações concentram parte das apurações em Alta Floresta e municípios da região.
A polícia também investiga conexões do grupo com tráfico de drogas, organização criminosa, extorsões e movimentação de dinheiro de origem ilícita. As autoridades ampliaram as investigações para identificar pessoas que teriam ajudado a estrutura criminosa a funcionar.
A captura na Bolívia encerra uma busca que começou após a fuga da unidade prisional em Cuiabá. Agora, as autoridades brasileiras devem cumprir os procedimentos legais para trazer Angeliquinha de volta ao país e executar as ordens judiciais existentes.
Operação Showdown mira familiares de Angeliquinha
Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para investigar pessoas que, segundo as apurações, ajudavam o grupo criminoso e participavam de um esquema de lavagem de dinheiro. A operação também atingiu familiares de Angeliquinha.
Os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 20 milhões durante um período de um ano e sete meses. A polícia considerou os valores incompatíveis com os rendimentos declarados pelos investigados.
A investigação também analisou empresas dos setores de calçados, beleza e roupas, além de plataformas de jogos de azar. Segundo a Polícia Civil, os investigados poderiam utilizar esses negócios para movimentar e ocultar recursos obtidos por meio de atividades criminosas.
Polícia apreende bens e bloqueia contas
A Operação Showdown cumpriu 31 ordens judiciais expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop. As medidas incluíram quatro prisões, sete buscas e apreensões, sequestro de veículos e imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de três empresas.
Os investigadores também ampliaram o trabalho para áreas de garimpo em Alta Floresta e Nova Bandeirantes. A Polícia Civil apura possíveis relações entre a exploração irregular, extorsões, tráfico de drogas e mecanismos utilizados para esconder recursos ilícitos.
A operação reuniu diferentes frentes de investigação para identificar a estrutura financeira e operacional atribuída ao grupo. As autoridades continuam analisando documentos, movimentações financeiras e outros elementos reunidos durante as diligências.
Angeliquinha recebeu condenação de quase 100 anos
Em março de 2025, a Justiça condenou Angeliquinha a 99 anos e 11 meses de prisão pela participação nas mortes de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde. O crime aconteceu em 2022 e terminou com a localização dos corpos das vítimas em uma área rural.
Segundo a investigação, os criminosos apontaram os trabalhadores como integrantes de uma facção rival. As vítimas haviam saído do Paraná para trabalhar em obras de pavimentação em Mato Grosso.
A investigação apontou que Angeliquinha ordenou as execuções. Os criminosos torturaram os quatro trabalhadores antes de matá-los, segundo os elementos apresentados durante o processo que resultou na condenação.



