Julgamento do acusado de matar Renato Nery começa nesta quarta-feira no Fórum de Cuiabá

Perrengue Mato Grosso

Renato Nery construiu uma das carreiras mais respeitadas da advocacia em Mato Grosso. Aos 72 anos, ele acumulou décadas de atuação, principalmente em causas cíveis e disputas agrárias, área em que conquistou reconhecimento estadual. Além disso, ele presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e participou ativamente de discussões sobre o fortalecimento da advocacia no estado.

Ao longo da trajetória, Renato Nery atuou em processos de grande repercussão e conquistou o respeito de colegas, magistrados, promotores e clientes. A experiência e a atuação firme fizeram dele uma das principais referências do meio jurídico mato-grossense.

Julgamento marca primeiro passo do caso

O Tribunal do Júri de Cuiabá inicia, na manhã desta quarta-feira (15), o julgamento do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como o autor dos disparos que mataram Renato Nery. Alex será o primeiro dos seis denunciados a responder perante os jurados.

O Ministério Público acusa Alex de executar o homicídio mediante pagamento. Durante a sessão, os jurados analisarão as provas produzidas pela investigação e decidirão se condenam ou absolvem o réu.

Além do acusado, cinco testemunhas prestarão depoimento. A acusação convocou os delegados Bruno Sérgio Magalhães Abreu e Caio Fernando de Albuquerque, responsáveis pela investigação, o escrivão Davi Padilha Nogueira, Kaster Huttner Garcia e Lívia Moreira Gomes Nery, filha do advogado.

Os outros denunciados ainda aguardam julgamento. Permanecem presos preventivamente os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, apontados como mandantes, além dos policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira. A Justiça ainda não definiu as datas dos julgamentos deles.

Investigação aponta disputa por fazenda como motivação

A Polícia Civil e o Ministério Público concluíram que uma disputa judicial envolvendo uma fazenda em Novo São Joaquim motivou o assassinato. Segundo a investigação, Renato Nery atuava em favor de uma das partes do processo, situação que contrariou interesses econômicos ligados à propriedade rural.

Conforme a denúncia, os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos decidiram encomendar a morte do advogado após perderem espaço na disputa pela fazenda. Os investigadores afirmam que o casal pagou R$ 200 mil ao sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira para organizar toda a execução.

Ainda segundo o Ministério Público, Heron recrutou o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva para executar o crime. A denúncia também afirma que os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira ajudaram a estruturar a logística, providenciaram a arma utilizada e intermediaram os pagamentos.

A Polícia Civil também investiga o uso de uma pistola pertencente à Rotam. Os investigadores identificaram que a arma utilizada no homicídio integra o patrimônio da unidade especializada e abriram um inquérito específico para descobrir como ela saiu da corporação e quem autorizou sua utilização.

Como aconteceu o assassinato

Renato Nery chegou ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, na manhã de 5 de julho de 2024. Naquele momento, segundo a investigação, Alex Roberto de Queiroz Silva já aguardava a vítima em uma motocicleta vermelha nas proximidades.

Assim que Renato desceu do carro, o suspeito se aproximou e efetuou vários disparos. Em seguida, fugiu rapidamente na motocicleta. Câmeras de segurança registraram toda a ação e ajudaram a Polícia Civil a reconstruir a dinâmica do crime.

Equipes de resgate socorreram Renato Nery logo após o atentado. Os médicos realizaram uma cirurgia, mas o advogado não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte, em 6 de julho de 2024.

As investigações apontaram que os envolvidos começaram a planejar o homicídio cerca de três meses antes da execução. Além dos seis denunciados, a Polícia Civil prendeu outros policiais militares durante a apuração para investigar possíveis participações em diferentes etapas do plano criminoso.

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