Na noite da última segunda-feira (5/5), a Polícia Militar prendeu um influenciador digital de 25 anos, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Conforme relatos de vizinhos, o homem cometia maus-tratos brutais contra dois cães da raça cane corso. Além disso, ele compartilhava os abusos em vídeos nas redes sociais, buscando aumentar sua audiência. O perfil do suspeito no Instagram já somava mais de 823 mil seguidores.
Crueldade era registrada e usada como ferramenta de engajamento
De acordo com as investigações, o homem cortou as orelhas dos animais sem qualquer anestesia, o que é proibido por lei. Além disso, ele utilizava uma arma de choque para estimular a agressividade dos cães. Em um dos vídeos mais revoltantes, o influenciador lançou galinhas vivas no quintal para que os cães as atacassem. Como resultado, os policiais encontraram restos das aves durante a operação. Segundo os moradores, ele deixava os cães dias sem alimentação, justamente para torná-los mais violentos.
Vizinhos viviam em constante medo e denunciaram as ameaças
Por outro lado, os crimes não se limitavam aos animais. Diversos vizinhos relataram que o influenciador ameaçava os moradores com armas, foguetes e bombas artesanais. Durante as buscas, a polícia apreendeu uma réplica de fuzil, uma arma de choque e artefatos explosivos caseiros. Assim, os investigadores constataram que o comportamento do suspeito ultrapassava os limites da crueldade, representando risco à vizinhança.
Redes sociais falharam ao ignorar os alertas
Embora o conteúdo fosse público e amplamente compartilhado, as plataformas digitais não retiraram os vídeos nem suspenderam o perfil do influenciador. Esse detalhe, portanto, levantou críticas à moderação de conteúdo nas redes. Segundo especialistas em direito digital, esse tipo de omissão demonstra que os algoritmos priorizam o alcance e o engajamento, mesmo quando violam normas legais. Desde 2018, o corte estético das orelhas de cães é crime no Brasil, conforme determinação do Conselho Federal de Medicina Veterinária. Além disso, a Lei de Crimes Ambientais prevê pena de até cinco anos de prisão para casos de maus-tratos a animais.
Perguntas frequentes
Porque a cultura do choque e da polêmica gera engajamento rápido, mesmo à custa da ética.
A responsabilização depende de comprovar que as empresas foram notificadas, mas não agiram.
Registrar provas, acionar a polícia e denunciar ao Ministério Público ou à Delegacia do Meio Ambiente.



