Governo Trump acusa Brasil de ajudar China a burlar tarifas dos EUA em “grande esquema”

Perrengue Mato Grosso

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluiu o Brasil em um relatório que aponta cerca de 40 países como integrantes de rotas utilizadas para redirecionar mercadorias chinesas e evitar tarifas impostas por Washington. O documento, intitulado “The Great Transshipment Scam” (“O Grande Esquema do Transbordo”), coloca o Brasil no chamado “Nível 2”, reservado a países classificados pelos norte-americanos como de “integração econômica significativa” com a China.

Brasil aparece entre países de “integração significativa”

Segundo o relatório, o Brasil integra o mesmo grupo de países como Vietnã, Tailândia, Indonésia, Malásia e Turquia. O documento norte-americano descreve o país como uma plataforma regional de produção e logística e o inclui nos chamados “corredores latino-americanos”.

A acusação ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais envolvendo Estados Unidos, Brasil e China. O governo Trump vem ampliando mecanismos de fiscalização para identificar operações que considere destinadas a contornar as tarifas norte-americanas.

O que é o chamado “transbordo ilegal”

No comércio internacional, o transbordo ilegal ocorre quando mercadorias passam por um terceiro país para esconder ou alterar sua verdadeira origem e, dessa forma, evitar tarifas ou outras restrições comerciais.

Entre as práticas apontadas no relatório estão alterações documentais, troca de etiquetas e processos mínimos de montagem ou transformação utilizados para apresentar determinada mercadoria como originária de outro país.

O relatório representa a posição e as acusações do governo dos Estados Unidos; a inclusão do Brasil no documento, por si só, não comprova que o governo brasileiro tenha participado ou autorizado operações ilegais.

Trump endurece combate à evasão de tarifas

A Casa Branca já adotou medidas para aumentar o combate ao transbordo. Uma ordem presidencial anterior estabeleceu tarifa adicional de 40% para mercadorias que as autoridades alfandegárias norte-americanas determinarem terem sido transbordadas com o objetivo de evitar impostos aplicáveis.

A nova acusação amplia mais um capítulo da disputa comercial envolvendo Washington e Pequim e coloca o Brasil novamente no centro das tensões econômicas internacionais.

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