Fachin homologa delação de ex-dono da Reag e investigação do Banco Master ganha novos desdobramentos

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, homologou o acordo de delação premiada do empresário João Carlos Mansur, ex-proprietário da Reag, no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. Mansur firmou o acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no início de setembro de 2026 e apresentou informações sobre supostas irregularidades relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. A homologação representa uma nova etapa das apurações, que também envolvem operações financeiras e suspeitas de lavagem de dinheiro.

Fachin valida acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República

João Carlos Mansur figura entre os investigados em um dos inquéritos relacionados ao Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça.

Entretanto, o gabinete de Edson Fachin mantém os processos relacionados ao caso desde setembro.

Mansur assinou o acordo de colaboração premiada com a PGR no início daquele mês.

Segundo informações atribuídas a integrantes da Procuradoria, o empresário apresentou provas e novos detalhes sobre possíveis crimes envolvendo Daniel Vorcaro.

A homologação judicial reconhece a regularidade formal do acordo, mas não representa uma condenação dos investigados nem comprova automaticamente as declarações do colaborador.

Investigação do Banco Master já reúne duas delações

O acordo de João Carlos Mansur representa a segunda colaboração premiada homologada nas investigações relacionadas ao Banco Master.

Anteriormente, a Justiça validou a delação de Antonio Carlos Freixo Jr., conhecido como Mineiro, proprietário da Entre Investimentos e Participações.

Segundo as informações divulgadas sobre o acordo, Freixo relatou pagamentos destinados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.

Os investigadores relacionam essas movimentações ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O relato também menciona um suposto pedido do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro.

As informações integram as investigações e dependem de análise e confirmação por outros elementos de prova.

Reag também entrou na mira da Polícia Federal

Além das investigações sobre o Banco Master, a Reag também apareceu entre os alvos da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal.

A investigação apura suspeitas de que a administradora de fundos tenha participado de operações para lavar recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a apuração policial, as movimentações suspeitas podem alcançar R$ 1 bilhão.

O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição em janeiro de 2026.

Colaboração poderá contribuir para novas etapas da investigação

Com a homologação, os investigadores poderão utilizar as informações apresentadas por Mansur para orientar diligências e buscar provas independentes.

A colaboração premiada permite que investigados forneçam informações às autoridades em troca de benefícios previstos em lei, conforme as condições do acordo.

Entretanto, a legislação exige elementos adicionais para fundamentar uma condenação, pois as declarações de um colaborador não bastam, isoladamente, para comprovar a responsabilidade criminal de terceiros.

Até o momento, as informações divulgadas não detalham todas as provas entregues pelo empresário nem os benefícios estabelecidos no acordo.

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