Ex-comandante da FAB revela temor de golpe após eleição de Lula: “Risco foi iminente”

Perrengue Mato Grosso

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior afirmou que o Brasil enfrentou um “risco iminente” de ruptura institucional após as eleições presidenciais de 2022. Segundo o brigadeiro, que comandava a Aeronáutica no fim do governo Jair Bolsonaro (PL), as pressões sobre integrantes das Forças Armadas chegaram a um nível que o fez temer até uma divisão entre as próprias tropas. As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo e aparecem no livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”.

Baptista Júnior relata bastidores de reuniões realizadas depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro de 2022. De acordo com o ex-comandante, Bolsonaro discutiu com chefes militares alternativas para contestar o resultado eleitoral e impedir a posse do presidente eleito. O relato é de Baptista Júnior e integra sua reconstrução dos acontecimentos daquele período.

Brigadeiro diz que temia “ruptura entre tropas”

Um dos pontos mais fortes do relato envolve o temor de uma divisão interna nas Forças Armadas. Baptista Júnior afirmou que conhecia a posição do Alto Comando da Aeronáutica, mas não tinha segurança sobre como todos os segmentos militares reagiriam diante da escalada da crise política.

“As pressões foram muito grandes em cima de todos os comandantes militares. Eu temia por uma ruptura entre tropas”, declarou.

Segundo ele, também existia preocupação com a possibilidade de integrantes do Exército adotarem alguma iniciativa que não estivesse alinhada à posição do então comandante da Força, general Marco Antônio Freire Gomes.

Bolsonaro teria pressionado comandantes

Baptista Júnior afirma que ele e Freire Gomes se posicionaram contra medidas que ultrapassassem os limites constitucionais. O brigadeiro também relata ter recebido cobranças do então presidente durante as discussões realizadas após a eleição.

Em uma dessas reuniões, segundo seu relato, Bolsonaro teria dito que já havia lhe dado “dois cartões amarelos”. Baptista Júnior interpretou a declaração como uma advertência diante de sua postura durante aquele período.

Livro detalha bastidores da crise de 2022

O ex-comandante decidiu registrar sua versão dos acontecimentos no livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, cujo lançamento está previsto para setembro de 2026.

Na obra, o militar descreve reuniões, pressões políticas e divergências dentro da cúpula das Forças Armadas durante os últimos meses da administração Bolsonaro.

O depoimento de Baptista Júnior acrescenta a perspectiva de alguém que ocupava um dos principais postos da estrutura militar brasileira naquele período e reforça o debate sobre o papel desempenhado pelos comandantes das Forças Armadas durante a crise institucional que sucedeu as eleições de 2022.

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