Escolhido por Gonet para atuar no caso Master divide disciplina na USP com Alexandre de Moraes

Fabíola Maria Costa Silva

O subprocurador-geral da República André de Carvalho Ramos, escolhido pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar nos processos relacionados ao caso Banco Master, também mantém uma relação profissional acadêmica com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois aparecem como docentes responsáveis por uma disciplina de pós-graduação em Direito da Universidade de São Paulo (USP). A informação ganha repercussão porque Moraes é citado em uma das frentes relacionadas ao caso Master que chegou ao Supremo.

USP confirma os dois como docentes da mesma disciplina

Segundo o sistema oficial de pós-graduação da USP, Alexandre de Moraes e André de Carvalho Ramos estão entre os responsáveis pela disciplina “Direito Digital: Novos desafios da Democracia, Constituição, Direitos e Desenvolvimento”. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Ramos Tavares também integra o grupo de professores responsáveis.

A disciplina possui carga horária total de 120 horas e aborda temas relacionados às novas tecnologias, democracia, Constituição, direitos fundamentais e desenvolvimento. O cadastro da universidade aponta os três nomes entre os docentes responsáveis.

A USP também registra uma turma presencial em 2026 com Moraes, Carvalho Ramos e Ramos Tavares. As aulas estão previstas em datas específicas entre agosto e setembro.

A relação acadêmica, por si só, não demonstra irregularidade ou impedimento jurídico para a atuação do subprocurador no caso.

Gonet escolheu subprocurador para atuar no caso Master

André de Carvalho Ramos foi escolhido na sexta-feira (11) para atuar ao lado de Paulo Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, nas ações judiciais e extrajudiciais relacionadas ao caso Master.

Conforme reportagem do Metrópoles, o despacho assinado por Gonet autoriza o subprocurador a atuar perante o Supremo nos processos relacionados às investigações envolvendo o banco comandado por Daniel Vorcaro.

A escolha ocorre em um momento de forte exposição do caso dentro do STF. Moraes aparece em conversas com Vorcaro que passaram a integrar as discussões sobre a investigação.

STF se prepara para analisar situação de Moraes

A relação profissional entre Carvalho Ramos e Moraes ganhou atenção às vésperas da sessão prevista para esta terça-feira (15), quando o STF deverá analisar se autoriza uma investigação formal do ministro em razão das conversas relacionadas a Vorcaro.

A existência da atividade acadêmica conjunta está documentada oficialmente pela USP. Entretanto, as informações disponíveis não apontam que essa relação tenha provocado o afastamento de Carvalho Ramos, nem demonstram que a atuação conjunta como professores tenha interferido em qualquer procedimento relacionado ao Banco Master.

Dessa forma, a coincidência profissional integra o contexto do caso, enquanto qualquer avaliação sobre eventual impedimento, suspeição ou conflito de interesses dependeria dos critérios jurídicos aplicáveis e de manifestação das autoridades competentes.

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