Empresário citado em conversa sobre despesas de Lulinha fechou R$ 63 milhões em contratos com governo Lula

Fabíola Maria Costa Silva
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O empresário Marcelo Checon, citado em uma conversa obtida pela Polícia Federal (PF) sobre possíveis despesas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fechou R$ 63,4 milhões em contratos com o governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.

Checon é proprietário da MChecon Design e Cenografia. Desde janeiro de 2023, a empresa firmou 13 contratos com o Executivo Federal, que somam R$ 63.406.954,74.

Os pagamentos realizados pelo governo à companhia no período já alcançam R$ 84,2 milhões, conforme o levantamento publicado pela coluna.

Mensagem coloca empresário no caso

O nome de Checon aparece em um áudio enviado pela lobista Roberta Luchsinger ao empresário Cléber Ribas. A conversa, de agosto de 2025, foi recuperada pela Polícia Federal.

Na mensagem, Roberta relata que teria informado Lulinha de que não poderia continuar pagando passagens aéreas para ele.

Segundo a versão narrada pela lobista, o filho do presidente respondeu que passaria a pedir ajuda a Ribas e Checon.

A citação, entretanto, não comprova que Marcelo Checon tenha efetivamente pago passagens ou outras despesas de Lulinha.

Empresa ampliou contratos a partir de 2023

Antes do atual mandato de Lula, a MChecon tinha um contrato federal de R$ 197 mil, firmado em maio de 2022 com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Após janeiro de 2023, outros 13 contratos foram fechados com o Executivo, totalizando R$ 63,4 milhões.

A companhia atua na produção de eventos, cenografia e montagem de estruturas. Entre os trabalhos realizados estão a Casa Brasil durante a COP30, em Belém, e a Casa Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

Os principais contratos envolvem os ministérios do Desenvolvimento Agrário, Turismo, Cultura e Desenvolvimento e Assistência Social. A empresa também realizou contratações com outros órgãos federais.

PF investiga relações envolvendo Lulinha

As mensagens fazem parte de um contexto mais amplo de investigações envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e empresários.

A PF apura suspeitas de tráfico de influência e possíveis articulações para obtenção de contratos públicos. Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), investigadores afirmam que Lulinha aparece em conversas como possível destinatário de pagamentos e benefícios. Até agora, porém, a PF não identificou contratos que comprovem uma contrapartida em benefício do grupo investigado.

A existência dos contratos da MChecon com órgãos federais, isoladamente, não comprova qualquer irregularidade ou favorecimento relacionado a Lulinha.

Marcelo Checon foi procurado pela coluna do Metrópoles, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem. Após a publicação, Cléber Ribas afirmou que ainda não teve acesso às investigações e declarou que seus contratos com o governo seguiram os procedimentos administrativos previstos em lei.

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