Um documentário produzido pela Brasil Paralelo sobre os dez anos do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff voltou a colocar em circulação nas redes sociais imagens da histórica votação realizada pela Câmara dos Deputados em 17 de abril de 2016. Entre os discursos selecionados pela produção aparece o do então deputado federal por Mato Grosso Nilson Leitão, hoje candidato a retornar à Câmara. Naquela sessão, Leitão declarou voto favorável ao prosseguimento do processo. Os registros oficiais da Câmara confirmam tanto seu voto quanto sua participação como titular da Comissão Especial responsável pela análise da denúncia.
Voto de Nilson volta a circular dez anos depois
Na votação realizada em abril de 2016, a Câmara autorizou o prosseguimento do processo de impeachment por 367 votos favoráveis, 137 contrários e sete abstenções.
Antes de declarar seu voto, Nilson afirmou que o Brasil havia chegado ao “juízo final” de uma mobilização que defendia o impeachment. Em seguida, citou Mato Grosso, Sinop e sua família antes de votar “sim” pelo prosseguimento do processo. O pronunciamento completo consta nos registros oficiais da Câmara dos Deputados.
A seleção do discurso para o documentário representa uma escolha editorial da Brasil Paralelo entre centenas de manifestações registradas naquela sessão.
Atuação começou antes da votação no plenário
A participação de Nilson no processo não ficou restrita ao voto de 17 de abril. O então parlamentar integrava como titular a Comissão Especial criada para analisar a denúncia por crime de responsabilidade apresentada contra Dilma.
Na comissão, Nilson votou favoravelmente ao parecer que recomendava o prosseguimento do processo. O relatório recebeu 38 votos favoráveis e 27 contrários em 11 de abril daquele ano.
Dias antes da votação definitiva na Câmara, o parlamentar também fez discursos defendendo o impeachment e criticando o governo Dilma. Os registros taquigráficos mostram que ele sustentava que havia crime de responsabilidade e rejeitava a interpretação dos governistas de que o procedimento representava um golpe.
Ex-deputado relembra participação no processo
Uma década depois, Nilson voltou a mencionar sua atuação naquele período ao falar sobre sua trajetória política e a tentativa de retornar à Câmara Federal.
“Fui líder da oposição no momento de crise do país. Fui líder da oposição contra a presidente Dilma que culminou com três CPIs, uma delas eu fui relator. Não fui omisso, não fui mais um. Ajudei a coordenar e liderar para chegar no impeachment”, relembrou.
Nilson exerceu mandato de deputado federal por Mato Grosso entre 2011 e 2019. Durante aquele período, ocupou posições de liderança partidária e participou ativamente da oposição ao governo Dilma. Registros da própria Câmara mostram que ele já defendia publicamente o impeachment antes da abertura formal da etapa decisiva do processo.
O documentário, portanto, recupera um episódio documentado da trajetória parlamentar de Nilson e recoloca seu voto de 2016 em circulação dez anos depois do processo que terminou com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff da Presidência.
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