A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30), marcada para Belém (PA), deve contar com a maior representação indígena da história do evento. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) está liderando uma série de encontros preparatórios para garantir que as vozes dos povos originários tenham espaço real nas decisões globais sobre clima.
O projeto batizado de “Ciclo COParente” já percorreu cinco biomas brasileiros e acaba de concluir uma etapa em Dourados (MS), no Pantanal. O objetivo da iniciativa é qualificar e fortalecer a participação indígena, conectando lideranças tradicionais com fóruns técnicos, autoridades internacionais e redes de articulação ambiental.
Por que a COP precisa ter cara indígena?
Em meio à emergência climática global, os povos indígenas são os que mais preservam o meio ambiente e, ao mesmo tempo, os mais impactados pelas mudanças no clima. Embora ocupem apenas 5% do território mundial, protegem cerca de 80% da biodiversidade do planeta, segundo dados da ONU. O protagonismo desses povos na COP-30 não é apenas simbólico, mas estratégico para garantir decisões mais equilibradas.
O ministro dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, tem reforçado que não se trata de uma participação decorativa. A presença indígena precisa influenciar diretamente os compromissos assumidos pelos países, especialmente nas áreas de justiça climática, financiamento e proteção territorial.
Ciclo COParente: da Caatinga à Amazônia
A rota do Ciclo COParente inclui todos os principais biomas brasileiros. Já passou por regiões da Caatinga, Mata Atlântica, Cerrado, Pampa e Pantanal. Agora, as próximas etapas devem ocorrer nos estados da Amazônia Legal, reunindo lideranças do Norte e consolidando estratégias de atuação para a COP-30.
As atividades incluem oficinas, rodas de conversa, formação política, além de articulações com representantes do Itamaraty, do Ministério do Meio Ambiente e de organismos internacionais. A proposta é construir uma agenda coletiva, com base nos saberes indígenas e nas urgências climáticas locais.
Expectativa internacional e visibilidade global
Belém sediar a COP-30 já representa uma ruptura em relação aos fóruns anteriores. Pela primeira vez, a conferência acontecerá na Amazônia, região central nas discussões sobre desmatamento, transição energética e biodiversidade. A visibilidade das lideranças indígenas brasileiras será uma das vitrines do evento.
Além de discussões técnicas, o evento promete ser um espaço de afirmação cultural e política, colocando os povos indígenas no centro do debate climático mundial.
Perguntas curiosas
O que é o Ciclo COParente?
É um projeto do Ministério dos Povos Indígenas para preparar lideranças indígenas para a COP-30.
Por que a participação indígena na COP é tão importante?
Porque esses povos preservam a maior parte da biodiversidade do planeta e sofrem diretamente com os impactos da crise climática.
Onde será realizada a COP-30?
Na cidade de Belém, no estado do Pará, em 2025.



