A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil (PL), não escondeu o desconforto ao comentar a operação policial que atingiu vereadores nesta terça-feira (29). Em meio a mandados de busca e apreensão, ela reconheceu que a investigação reforça a fama negativa do Legislativo como “Casa dos Horrores” – um rótulo que persegue a política local há anos.
“É ruim para todos”, diz Paula Calil sobre impacto da operação
Apesar de a investigação estar ligada à legislatura passada e envolver diretamente apenas dois vereadores – Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (MDB) –, Paula Calil foi enfática: “Afeta a imagem da Câmara”. Ela destacou que, mesmo não sendo alvo, a atual gestão sofre as consequências. “É claro que é o CPF dos vereadores, mas mancha a instituição”, afirmou, antes de adentrar o prédio acompanhada por um policial.
A operação investiga um suposto esquema de corrupção relacionado a emendas parlamentares. Chico 2000, um dos alvos, presidiu a Casa entre 2023 e 2024. Apesar da tensão, a presidente não confirmou se a sessão do dia seria suspensa, deixando em aberto como a Câmara reagiria ao escândalo.
Ranalli (PL) defende operação, mas lamenta desgaste da política
O vereador Ranalli (PL), policial de carreira, apoiou a ação da Polícia Civil, mas admitiu que o episódio “mantém o nome da casa para baixo”. Ele argumentou que o problema não é exclusivo de Cuiabá, mas reflete uma crise de credibilidade que atinge toda a classe política. “A imagem já está na lama”, disse, sugerindo que a sessão fosse cancelada para evitar constrangimentos, mesmo que isso atrasasse projetos do Executivo.
Ranalli afirmou não conhecer os detalhes da investigação, mas defendeu que as autoridades “apurem tudo até o fim”. A fala dele ecoa o sentimento de parte da população, que vê com desconfiança sucessivos escândalos envolvendo agentes públicos.
Operação reacende debate sobre transparência e ética na política
A Câmara de Cuiabá já foi palco de outras operações policiais nos últimos anos, alimentando a percepção de que o Legislativo local é um ambiente vulnerável a irregularidades. Desta vez, o foco parece ser o desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares – um mecanismo que, em tese, deveria beneficiar a população, mas frequentemente vira alvo de suspeitas.
Enquanto a polícia não divulga mais informações, o clima entre os vereadores é de apreensão. A presidente Paula Calil tenta separar a atual gestão dos problemas do passado, mas o estrago na imagem da Casa parece inevitável. Resta saber se a sociedade cobrará mudanças mais profundas ou se o rótulo de “Casa dos Horrores” continuará sendo uma sombra sobre a política cuiabana.
RELEMBRE O CASO
Perguntas e respostas
A ação apura um suposto esquema de corrupção envolvendo emendas parlamentares na gestão passada da Câmara de Cuiabá.
Paula Calil argumenta que, mesmo não sendo alvo, a instituição sofre com a associação a escândalos, reforçando a desconfiança da população.
Ranalli (PL) sugeriu suspender os trabalhos para evitar constrangimentos, mas destacou que a operação é legítima e deve seguir até o fim.




