Câmeras de segurança registraram o momento em que um Chevrolet Onix branco atropelou a técnica judiciária Rosemar da Silva Santos, de 49 anos, na noite de 25 de outubro, em Cáceres (MT). O vídeo mostra o veículo atingindo a servidora por trás enquanto ela caminhava pela Rua 13 de Junho, nas proximidades da Praça Barão do Rio Branco.
Rosemar caminhava acompanhada de uma amiga após participar de uma comemoração pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O impacto derrubou a vítima e provocou perda imediata de consciência. Populares prestaram os primeiros socorros e a encaminharam para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Depois, a equipe médica transferiu a servidora para o Hospital Regional de Cáceres.
O atropelamento provocou fraturas no rosto e em outras partes do corpo. Agora, a vítima contesta a versão apresentada pelo motorista, Gilmar Aguilhera Prenzler, de 38 anos, e cobra que a Polícia Civil investigue uma possível omissão de socorro. Rosemar também questiona se o condutor agiu por motivação política.
Motorista alegou que vítima aparentava estar embriagada
Em depoimento à Polícia Civil, Gilmar afirmou que deixou o local porque Rosemar e outras pessoas que estavam próximas aparentavam estar embriagadas. Entretanto, a técnica judiciária negou ter consumido bebidas alcoólicas e contestou a justificativa apresentada pelo motorista.
Segundo Rosemar, ela havia acabado de sair da comemoração política e seguia em direção ao próprio veículo quando sofreu o atropelamento. Para a servidora, a alegação sobre uma possível embriaguez representa uma tentativa de justificar a saída do condutor sem prestar assistência após o acidente.
A vítima também contestou a afirmação de Gilmar de que teria descido do carro para verificar se ela precisava de ajuda. Rosemar afirma que o motorista não entrou em contato com ela depois do atropelamento, mesmo sabendo de sua identidade e acompanhando a repercussão do caso pela imprensa.
Em entrevista ao portal Primeira Página, a técnica judiciária declarou que o condutor também não procurou espontaneamente a polícia para prestar esclarecimentos. Segundo ela, os investigadores localizaram o homem somente após realizar diligências.
“Por que não me procurou? Por que não se apresentou? Quando fiz o exame de corpo de delito, o perito disse que eu tive muita sorte de não ter batido a cabeça. […] Ele nem teve a capacidade de me ligar. Ou seja, arrependimento zero e ainda mentiu dizendo que foi me perguntar se precisava de ajuda”, afirmou.
Vítima formaliza representação e cobra investigação por omissão de socorro
Na terça-feira (3), Rosemar formalizou uma representação criminal e questionou a condução da investigação pela Polícia Civil. A servidora demonstrou insatisfação com o enquadramento inicial do caso como lesão corporal culposa e cobrou a inclusão da suspeita de omissão de socorro no procedimento.
A vítima considera que os investigadores precisam analisar a conduta do motorista depois do atropelamento. Para ela, a saída do condutor sem prestar assistência exige uma apuração específica, principalmente diante das versões apresentadas por ele e das imagens registradas pelas câmeras de segurança.
Rosemar também afirmou que pretende utilizar todos os recursos legais para responsabilizar o motorista. Caso a perícia descarte a intenção de provocar o atropelamento, ela espera que a investigação considere outras circunstâncias que possam resultar em uma responsabilização mais grave.
“Saí muito chateada da delegacia. Me senti desrespeitada, como se fosse um ato insignificante, porque eles estão cientes de que ele não prestou socorro. Então, por que não colocaram ao menos a omissão?”, questionou.
Vítima questiona possível motivação política do atropelamento
Rosemar também cobra esclarecimentos sobre uma possível motivação política para o acidente. A técnica judiciária apresentou prints de publicações do perfil de Gilmar no Instagram que, segundo ela, demonstram o apoio do motorista ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).
A servidora questiona a retirada dessas publicações do conjunto de provas da investigação. Ela afirma que reportagens sobre seu próprio posicionamento político entraram no procedimento, enquanto os registros que mostrariam as preferências políticas do motorista ficaram de fora.
Rosemar também relata que recebeu comentários de ódio nas redes sociais depois que a repercussão do atropelamento ganhou contornos políticos. Por isso, ela defende que os investigadores considerem todos os elementos apresentados pelas partes antes de descartar qualquer hipótese sobre a motivação do acidente.

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