Bolsa deve enfrentar período de volatilidade durante eleições, mas analistas ainda veem espaço para alta

Perrengue Mato Grosso

O mercado financeiro brasileiro deve atravessar um período de maior volatilidade até as eleições de outubro, segundo analistas ouvidos por O Globo. A expectativa é de que o cenário político aumente as oscilações da Bolsa de Valores, embora especialistas ainda enxerguem potencial de valorização para as ações brasileiras, impulsionadas principalmente pelo retorno do capital estrangeiro e pela percepção de que os ativos nacionais seguem baratos em comparação aos mercados internacionais.

Após registrar três meses consecutivos de saída de recursos, a B3 voltou a receber fluxo positivo de investidores estrangeiros em julho. O saldo foi de R$ 2,1 bilhões no mês, elevando para cerca de R$ 36 bilhões o volume acumulado de investimentos internacionais na Bolsa brasileira em 2026.

Capital estrangeiro volta a olhar para o Brasil

Especialistas apontam que parte dos investidores globais reduziu a exposição às empresas de tecnologia e voltou a direcionar recursos para setores ligados à economia real, como mineração, petróleo e agronegócio, segmentos em que o Brasil possui forte representatividade.

Outro fator que favorece esse movimento é o preço das ações brasileiras. Analistas avaliam que muitos papéis continuam negociados abaixo da média histórica, tornando o mercado nacional mais atrativo para investidores internacionais.

Além disso, empresas brasileiras aumentaram os programas de recompra de ações nos últimos meses, movimento normalmente associado à percepção de que os ativos estão subvalorizados.

Eleições devem aumentar as oscilações

Apesar do cenário considerado favorável para entrada de capital estrangeiro, estrategistas afirmam que a proximidade das eleições presidenciais tende a provocar períodos de instabilidade no mercado financeiro.

Segundo instituições financeiras, o histórico mostra que o Ibovespa costuma apresentar maior volatilidade nos meses que antecedem as eleições, devido às incertezas sobre o futuro da política econômica do país.

As expectativas em torno da trajetória da taxa Selic também permanecem no radar dos investidores. Embora parte do mercado ainda espere novos cortes nos juros até o fim do ano, economistas avaliam que o espaço para reduções adicionais diminuiu diante das preocupações com a inflação e do cenário fiscal.

Cenário fiscal continuará no foco dos investidores

Analistas destacam que, além do resultado das eleições, o comportamento da Bolsa dependerá das sinalizações sobre responsabilidade fiscal e condução das contas públicas pelo próximo governo.

Na avaliação do mercado, um compromisso consistente com equilíbrio fiscal pode reduzir a pressão sobre os juros e favorecer uma valorização mais expressiva das ações brasileiras. Até lá, a expectativa é de que o mercado continue reagindo às pesquisas eleitorais, aos indicadores econômicos e às decisões do Banco Central, mantendo um ambiente de maior cautela entre investidores.

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