Após vitória, Lula busca apoio de partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro para governar o Brasil

Fabíola Maria Costa Silva •

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as articulações políticas para seu quarto mandato e busca apoio de partidos que estiveram ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2026. Nesta segunda-feira (26), um dia após conquistar a reeleição, Lula recebeu os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro durou aproximadamente duas horas e marcou o início das conversas para ampliar a base de apoio do governo no Congresso Nacional a partir de 2027.

Lula se reúne com presidentes da Câmara e do Senado

Apesar de seus partidos terem apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno, Hugo Motta e Davi Alcolumbre defenderam individualmente a reeleição de Lula.

Agora, os dois parlamentares poderão atuar como intermediários nas negociações entre o presidente e partidos do Centrão.

Além disso, Motta e Alcolumbre trabalham para continuar no comando da Câmara e do Senado em fevereiro de 2027 e buscam apoio político para suas candidaturas.

Após a reunião, Hugo Motta afirmou que esteve no Palácio da Alvorada para cumprimentar Lula e “reafirmar nosso compromisso de harmonia entre os Poderes”.

Entretanto, o encontro não significa que o presidente já tenha fechado acordos com as direções dos partidos.

Partidos que apoiaram Flávio podem negociar ministérios

O Republicanos e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, apoiaram Flávio Bolsonaro durante a disputa presidencial.

Com a vitória de Lula, integrantes dessas legendas começaram a discutir o posicionamento que adotarão diante do novo governo.

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, reconheceu o resultado das urnas e defendeu o diálogo entre o Executivo e o Congresso.

Já no PP, as manifestações demonstraram posições diferentes.

O senador eleito Arthur Lira (AL) reconheceu a vitória de Lula e defendeu uma atuação baseada em diálogo e responsabilidade.

Por outro lado, a senadora Tereza Cristina (MS) sinalizou que pretende permanecer na oposição.

“Nós estaremos lá para fiscalizar esse governo e lutar pelo país que queremos”, declarou.

Lula também precisa acomodar aliados derrotados nas eleições

Além de negociar com partidos de centro, Lula enfrenta o desafio de encontrar espaço para aliados que não conseguiram se eleger em 2026.

Entre os nomes mencionados nas articulações estão Gleisi Hoffmann (PT), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT) e João Campos (PSB).

Gleisi não conseguiu conquistar uma vaga no Senado pelo Paraná e aparece entre os nomes cotados para retornar ao governo.

Marina Silva e Simone Tebet também foram derrotadas nas disputas pelo Senado em São Paulo.

Já Fernando Haddad perdeu a eleição para o governo paulista, enquanto João Campos não conseguiu vencer a disputa pelo governo de Pernambuco.

Entretanto, Lula ainda não anunciou oficialmente a composição de sua equipe ministerial para o próximo mandato.

PL terá maior bancada e poderá dificultar votações

A composição do Congresso Nacional representa um dos principais desafios para o presidente reeleito.

A partir de 2027, o PL terá a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares, enquanto o PT contará com 70 representantes.

No Senado, o partido de Flávio Bolsonaro terá 29 das 81 cadeiras. Já o PT ocupará dez vagas.

Diante desse cenário, Lula precisará negociar com outras legendas para aprovar projetos de lei, medidas provisórias e propostas que dependem de maiorias expressivas.

Durante seu discurso após a vitória eleitoral, o presidente reconheceu a necessidade de diálogo com os parlamentares escolhidos pela população.

“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu”, afirmou Lula.

O novo mandato presidencial começará em 1º de janeiro de 2027, enquanto as eleições para o comando da Câmara e do Senado ocorrerão em fevereiro.

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