Enquanto as eleições de 2026 ainda parecem distantes, os bastidores políticos de Mato Grosso já fervilham com movimentos decisivos. O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) emerge como favorito após receber o apoio explícito dos “barões do agro”, incluindo os influentes primos Blairo e Eraí Maggi. O sinal verde foi dado durante uma viagem estratégica ao Piauí, onde Blairo não hesitou em chamar Pivetta de “futuro governador”. Mas até que ponto o eleitorado mato-grossense seguirá o roteiro traçado pelos grandes produtores?

O poder político do agronegócio em Mato Grosso
Analistas são unânimes: o setor agropecuário consolidou-se como a maior força política do estado, tendo apoiado os últimos cinco governadores. Com 30% do PIB estadual vindo do agronegócio, a influência dos grandes produtores transcende a economia e se estende às decisões eleitorais. A declaração de Blairo Maggi durante a viagem ao Piauí não foi casual – representa um endosso que vale mais que qualquer pesquisa de opinião no estado.
A transformação política dos Maggi
Curiosamente, os mesmos Maggi que hoje apoiam Pivetta já foram aliados de governos de esquerda no passado. Essa mudança de posicionamento revela uma pragmática adaptação às novas configurações políticas. Eraí Maggi, um dos maiores produtores de soja do mundo, e Blairo, ex-ministro da Agricultura, demonstraram com esse movimento que sua lealdade está com quem melhor representa os interesses do setor, independentemente de espectro político.
Os desafios de Pivetta na corrida eleitoral
Apesar do poderoso apoio, Pivetta enfrenta desafios significativos. Primeiro, precisa construir uma imagem que vá além do “candidato do agro”, conquistando eleitores urbanos. Segundo, terá que lidar com a percepção de que sua candidatura seria uma “imposição” das elites rurais. Por fim, precisa se desvencilhar da sombra do atual governador Mauro Mendes, mantendo autonomia política sem romper com a base governista.
Perguntas e Respostas
1. Qual o peso real do agronegócio nas eleições de MT?
O setor controla cerca de 40% do financiamento de campanhas no estado e influencia voto rural, que representa 35% do eleitorado.
2. Existem outras forças políticas relevantes no estado?
Sim, mas nenhuma com a capacidade de financiamento e articulação do agronegócio, que domina 8 das 10 maiores economias municipais.
3. O apoio do agro garante vitória eleitoral?
Historicamente sim – os últimos 5 governadores tiveram esse apoio -, mas o eleitorado urbano crescente pode mudar esse cenário.
Enquanto os tratores do agronegócio preparam o terreno para a candidatura Pivetta, a pergunta que fica é: Mato Grosso está pronto para um pleito que pode redefinir o equilíbrio entre o poder rural e as demandas urbanas? A resposta começará a tomar forma quando as urnas forem abertas em 2026, mas os primeiros movimentos sugerem que os “barões da soja” pretendem mais uma vez ditar o ritmo da política estadual.









