A advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa, de 67 anos, entrou no centro das atenções após documentos encontrados pela Polícia Federal apontarem pagamentos de aproximadamente R$ 33 milhões feitos pelo Banco Master ao escritório ligado a ela durante 2024.
Os registros fazem parte de uma auditoria interna realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre a operação envolvendo o Master. As informações foram encontradas pela PF durante as investigações do caso e também apontam pagamentos milionários a outros escritórios de advocacia.
Expressão chamou atenção da PF
O nome de Dalide aparece em conversas entre integrantes da diretoria do Banco Master. Em uma das mensagens, o diretor financeiro Ângelo Ribeiro teria orientado o pagamento ao escritório da advogada e utilizado a expressão “canal direto com o STF”.
Os documentos, entretanto, não esclarecem o significado da expressão. Também não foram encontradas, nos diálogos mencionados, referências diretas a ministros do Supremo Tribunal Federal relacionadas à contratação.
Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal ainda não realizou diligências específicas sobre o contrato e, portanto, não apresentou uma conclusão sobre a legalidade dos serviços prestados pelo escritório.
Carreira em órgãos públicos
Natural de Cansanção, na Bahia, Dalide é formada em Direito pelo Centro Universitário de Brasília e possui especializações em Direito Tributário, Constitucional e Processual Civil.
A advogada já ocupou cargos jurídicos em diferentes instituições públicas. Entre eles estão a diretoria jurídica da Caixa Econômica Federal, a assessoria jurídica da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a Procuradoria-Geral da Anac e a chefia de assessoria parlamentar do STF.
Em 2010, ela abriu o escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, onde passou a atuar como sócia-administradora.
Dalide também foi diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes. Os dois se conheceram quando Mendes ocupava o cargo de advogado-geral da União e Dalide trabalhava na Caixa Econômica Federal.
A advogada permaneceu na direção do instituto por sete anos e deixou o cargo em 2017. Desde então, segundo declaração atribuída ao ministro, os dois não mantêm uma relação de proximidade.
O que diz a advogada
A assessoria de Dalide negou que ela tenha atuado para o Banco Master no STF ou procurado ministros da Corte para tratar de assuntos relacionados à instituição financeira.
Segundo a nota, o escritório atuou em processos que originalmente envolviam empresas que venderam créditos ao Master e que posteriormente foram sucedidas pelo banco. A defesa afirma que os trabalhos ocorreram exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias.
O caso ganhou repercussão em meio às investigações sobre contratos do Banco Master com escritórios de advocacia e às apurações envolvendo relações do banqueiro Daniel Vorcaro com pessoas ligadas ao Judiciário.
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