As negociações de paz envolvendo Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, que já caminhavam lentamente, entraram em uma nova fase de tensão após o vazamento de uma conversa telefônica entre o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, e Yuri Ushakov, principal conselheiro de política externa de Vladimir Putin. O episódio, revelado nesta quarta-feira (26), reacendeu dúvidas sobre a neutralidade americana e ampliou o desgaste político em torno do conflito iniciado pela Rússia em 2022.
Sugestões ao Kremlin: o telefonema que inflamou Washington
No áudio vazado, Witkoff sugere a Ushakov estratégias de comunicação que poderiam facilitar um acordo com Trump. Entre elas, recomenda que Putin inicie a conversa elogiando o ex-presidente americano pelo cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas — uma tentativa de criar terreno amistoso antes de avançar nas tratativas sobre a Ucrânia.
O conteúdo causou forte reação dentro dos EUA, inclusive entre republicanos. Parlamentares aliados de Trump pediram a demissão imediata do emissário, alegando que suas falas soam como favorecimento explícito à Rússia, o país agressor no conflito.
Plano de paz original atendia a exigências de Moscou e gerou desconforto internacional
O documento inicial apresentado pelos americanos reconhecia territórios ocupados pela Rússia e previa que a Ucrânia fosse impedida de ingressar na Otan. Essas concessões, consideradas profundas demais por Kiev e aliados europeus, elevaram o alerta diplomático.
As críticas não vinham apenas de governos: especialistas em segurança internacional apontaram que atender aos termos do Kremlin poderia legitimar a invasão e enfraquecer a ordem global baseada em regras.
Europa pressiona, EUA recuam e novo texto irrita Moscou
Após intensas negociações no domingo (23), Ucrânia e países europeus conseguiram alterar o documento. A nova versão excluiu qualquer reconhecimento territorial em favor da Rússia e removeu restrições ao tamanho das Forças Armadas ucranianas.
As mudanças representam uma guinada significativa e tornam provável uma reação contrária de Moscou, que, segundo analistas, dificilmente aceitará um texto que não contemple suas linhas vermelhas.
A crise aberta pelo telefonema colocou ainda mais incertezas sobre o futuro das tratativas. Enquanto Washington tenta reorganizar o discurso, Moscou avalia seus próximos movimentos, e Kiev mantém a posição de que não aceitará acordos que comprometam sua soberania.
Perguntas frequentes:
Por que o telefonema causou tanta repercussão?
Porque o emissário americano sugeriu estratégias que poderiam favorecer a posição russa nas negociações.
A nova proposta de paz agrada à Ucrânia?
Sim. Ela remove pontos sensíveis que antes atendiam interesses de Moscou.
A Rússia deve aceitar o novo texto?
É improvável, já que perdeu concessões consideradas essenciais para sua posição no conflito.






