André Janones nega envolvimento em rachadinha e diz que uso de cartão de assessor foi “empréstimo pontual”; veja vídeo

O deputado federal André Janones (Avante-MG) voltou ao centro das atenções políticas nesta segunda-feira (20), após conceder entrevista ao programa Contexto Metrópoles, apresentado por Neila Guimarães. O parlamentar negou ter cometido o crime de rachadinha — prática em que servidores são obrigados a devolver parte dos salários a políticos — ao admitir que utilizou um cartão bancário pertencente a um assessor para realizar o pagamento de aproximadamente R$ 15 mil.

Durante a conversa, Janones afirmou que o valor foi usado de forma transparente e que o assessor sabia da operação. O deputado classificou o episódio como um “empréstimo pontual” e garantiu que não houve qualquer desvio de recursos públicos. “Não existe rachadinha, não existe apropriação indevida. Peguei o cartão emprestado, fiz o pagamento e devolvi. Tudo às claras”, declarou.

Janones tenta conter desgaste político

A declaração surge em um momento delicado para o parlamentar, que enfrenta forte repercussão nas redes sociais e críticas da oposição. O caso foi amplamente divulgado após trechos de conversas internas serem divulgados por antigos colaboradores, sugerindo movimentações financeiras suspeitas dentro do gabinete.

Janones, no entanto, afirma ser vítima de uma campanha de difamação política. Segundo ele, o episódio está sendo explorado para manchar sua imagem e descredibilizar sua atuação como deputado. “Querem inverter os papéis. Eu não roubei ninguém, não enriqueci com dinheiro público. Estou sendo atacado porque enfrento o sistema e não faço parte dele”, disse.

O que é a “rachadinha” e por que o caso levanta suspeitas

A rachadinha é um crime de peculato, previsto no Código Penal, e ocorre quando um político se apropria indevidamente de parte dos salários de seus assessores. O uso do cartão de terceiros, especialmente de funcionários, costuma acender alertas sobre a origem e o controle dos recursos movimentados.

Juristas apontam que, ainda que o valor citado seja de caráter pessoal, a prática fere princípios administrativos e éticos. Por isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá solicitar esclarecimentos adicionais ao parlamentar caso entenda que há indícios de irregularidade.

Estratégia de defesa e reações

Aliados próximos a Janones defendem que o episódio não caracteriza rachadinha e reforçam que a movimentação foi devidamente comprovada. Já críticos afirmam que o caso demonstra a necessidade de mais rigor na fiscalização de verbas parlamentares.

O deputado, por sua vez, garante que não teme investigações e diz estar disposto a prestar esclarecimentos “em qualquer instância”. O episódio, entretanto, reacende o debate sobre ética na política e o uso indevido da confiança entre parlamentares e assessores.

Perguntas e respostas

  1. O que André Janones admitiu durante a entrevista?
    Ele confirmou ter usado o cartão de um assessor para pagar R$ 15 mil, alegando empréstimo pessoal.
  2. Esse ato configura o crime de rachadinha?
    Juridicamente, não há comprovação disso até o momento, mas o caso levanta suspeitas sobre conduta ética.
  3. O que pode acontecer a partir de agora?
    A PGR pode solicitar esclarecimentos, e o caso pode evoluir para uma investigação formal se houver indícios de irregularidade.
Fabíola Maria Costa Silva

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