Durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta segunda-feira (20), a advogada Tonia Galleti fez uma série de revelações sobre supostas irregularidades no sistema previdenciário. Segundo ela, o ex-ministro da Previdência do governo Jair Bolsonaro, José Carlos Oliveira, foi alertado pessoalmente sobre as fraudes, mas ignorou as advertências. As denúncias, segundo Tonia, remontam a 2019 e indicam que o problema era de conhecimento interno, mas não recebeu a devida atenção.
A advogada afirmou que tentou reiteradas vezes comunicar as fraudes a gestores do INSS e a órgãos ligados ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), mas enfrentou resistência e até bloqueios administrativos. “As irregularidades eram evidentes, mas o sistema preferiu silenciar. Não faltaram provas, o que faltou foi vontade política de enfrentar o problema”, declarou durante a sessão.
Denúncias antigas e resistência institucional
Tonia Galleti relatou que suas denúncias começaram logo após identificar movimentações suspeitas em benefícios previdenciários, envolvendo servidores e intermediários que teriam manipulado dados e processos para liberar pagamentos indevidos. Segundo ela, a falta de resposta dos gestores à época permitiu a ampliação das irregularidades.
A advogada afirmou que encaminhou relatórios técnicos e documentos internos para diferentes setores do governo, mas que muitos foram ignorados. “Houve uma cultura de resistência. Sempre que tentávamos tratar do assunto, surgiam obstáculos, trocas de chefia e interrupções de comunicação”, relatou.
As falhas, segundo a jurista, não se restringem a um período específico, mas refletem um problema estrutural do sistema previdenciário. Ela defende que a omissão de autoridades agravou o rombo nas contas públicas e contribuiu para a perda de credibilidade do INSS junto à população.
CPMI promete aprofundar investigações
A fala de Tonia Galleti teve forte repercussão entre os parlamentares da CPMI, que prometeram ampliar a investigação sobre possíveis omissões de ex-gestores e identificar eventuais conivências com os esquemas fraudulentos. Deputados e senadores destacaram a gravidade das acusações e a necessidade de apurar se houve negligência deliberada.
A comissão deve ouvir, nas próximas semanas, ex-dirigentes e técnicos do INSS citados nas declarações da advogada. O objetivo é compreender como as fraudes operavam e qual foi o papel de cada autoridade dentro da estrutura administrativa.
A fragilidade do sistema previdenciário em debate
O caso reacende discussões sobre a vulnerabilidade do sistema de benefícios e a necessidade de modernizar os mecanismos de controle e fiscalização. Especialistas apontam que a combinação de tecnologia defasada, excesso de processos manuais e falta de auditorias independentes facilita irregularidades e dificulta o rastreamento de fraudes.
A CPMI pretende apresentar um relatório final ainda este ano, com propostas para reformular os protocolos de segurança e prevenir novos casos. “O INSS é a base de sustento de milhões de brasileiros, e qualquer omissão é um ataque direto à dignidade da população”, disse a advogada ao encerrar sua fala.
Perguntas e respostas
- Quem Tonia Galleti afirmou ter alertado sobre as fraudes no INSS?
O ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira. - O que a advogada denunciou à CPMI?
Que suas tentativas de expor irregularidades no sistema previdenciário foram ignoradas e bloqueadas. - O que a CPMI deve fazer após o depoimento?
Ouvir ex-gestores e ampliar as investigações sobre possíveis omissões e fraudes dentro do INSS.






