“A fome é irmã da guerra” Lula critica desigualdade global e pede ação mundial contra a miséria; veja vídeo

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Em discurso na abertura do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou seu posicionamento contundente: “a fome é irmã da guerra”. Ele criticou o uso de tarifas, subsídios ou armas que transformam alimentos em armas e aprofundam desigualdades. A fala ocorreu em evento organizado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e pela Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, reunindo chefes de estado e representantes internacionais.

Para Lula, é urgente repensar a economia global: segundo ele, enquanto conflitos armados destroem cadeias produtivas, barreiras comerciais impõem sofrimento às populações mais vulneráveis. Ele propôs que uma fração dos gastos militares e um imposto sobre grandes fortunas poderiam financiar a erradicação da fome mundial.

Quando política vira arma

Lula traçou um paralelo entre guerras convencionais e disputas econômicas: para ele, tarifas e subsídios podem causar efeitos tão destrutivos quanto bombas. Políticas protecionistas adotadas por países ricos inviabilizam a produção agrícola de nações vulneráveis, aprofundando a insegurança alimentar global.

Em seu discurso, ele destacou que o mundo produz comida suficiente para alimentar 1,5 vez a população atual, mas ainda assim milhões passam fome. Isso revela que o problema não é apenas produção, mas distribuição — um projeto político e ético.

Além disso, o presidente fez uma crítica ao sistema internacional, acusando-o de permitir que desigualdades e conflitos se alimentem mutuamente. Ele afirmou que somente com ação multilateral consistente será possível desmontar essa interdependência.

Brasil fora do Mapa da Fome — resultado ou discurso?

No palco da FAO, Lula lembrou que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, fato comemorado pelo governo. Ele mencionou que 2024 registrou a menor proporção de domicílios em situação grave de insegurança alimentar desde 2004, especialmente entre crianças menores de cinco anos.

No entanto, especialistas apontam que esses dados são controversos e dependem de muitos fatores externos — inflação, subsídios, produção agrícola e até importações. O presidente disse que esses avanços não devem servir de justificativa para retrocessos, e sim de estímulo para consolidar políticas sociais permanentes.

Ele também afirmou que um país soberano é aquele capaz de alimentar seu povo, reforçando que o combate à fome deve ser parte essencial da política de Estado, não mera bandeira eleitoral.

Desafio multilateral e financiamento global

Lula propôs que apenas 12% dos gastos militares globais seriam suficientes para eliminar a fome latente. Em seu discurso, sugeriu ainda a criação de um imposto global de 2% sobre os super-ricos, capaz de sustentar alimentação universal para os mais vulneráveis.

Mas a viabilização dessas ideias exige cooperação internacional e reforma em mecanismos financeiros globais. Ele enfatizou que a crise climática, as dívidas dos países pobres e os desequilíbrios econômicos dificultam qualquer avanço isolado. Para ele, garantir segurança alimentar passa por justiça tributária e redistribuição de recursos.

Perguntas e respostas

Por que Lula associou fome à guerra?
Porque vê políticas econômicas e conflitos como causas convergentes da desigualdade.

O Brasil realmente saiu do Mapa da Fome?
Sim — segundo Lula, em 2024 registrou índices mínimos de insegurança grave.

Como financiar o combate universal à fome?
Com cortes nos gastos militares e tributos sobre fortunas, afirma o presidente.

Fabíola Maria Costa Silva

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