Zé Medeiros aciona Ministério Público por suposto uso eleitoral da UFMT e cobra investigação sobre tráfico de drogas no campus

Fabíola Maria Costa Silva •
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O deputado federal Zé Medeiros (PL), eleito senador por Mato Grosso, apresentou representações ao Ministério Público Eleitoral para apurar um possível uso da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em manifestações favoráveis à candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar também encaminhou um requerimento ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para solicitar informações sobre denúncias de tráfico de drogas no campus de Cuiabá. As medidas envolvem duas frentes distintas: a investigação de eventuais irregularidades eleitorais e o levantamento de dados sobre segurança pública na universidade. Até o momento, os documentos apresentados não comprovam a ocorrência de ilegalidades.

Suspensão das aulas entre 23 e 26 de outubro entra na mira do parlamentar

Nas representações encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral em Mato Grosso e à Procuradoria-Geral Eleitoral, Medeiros solicita esclarecimentos sobre a suspensão das atividades acadêmicas entre os dias 23 e 26 de outubro.

A medida consta na Resolução CONSEPE nº 700/2026, publicada em 14 de outubro. O parlamentar pede que os órgãos responsáveis analisem os fundamentos administrativos da decisão e investiguem se houve alguma relação entre a suspensão e atividades de promoção eleitoral.

Os documentos mencionam a reitora da UFMT, Marluce Aparecida Souza e Silva, e órgãos colegiados da instituição, sem estabelecer previamente a responsabilidade de seus integrantes.

Vídeo com pedido de voto em Lula também será analisado

Entre os episódios citados por Medeiros está uma manifestação nas proximidades da Guarita I, uma das entradas do campus de Cuiabá.

Segundo a representação, a mobilização teria contado com convocação da Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT-SSind) e do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação (SINTUF-MT).

O parlamentar também menciona um vídeo atribuído a um representante estudantil que teria anunciado a suspensão das atividades acadêmicas e encerrado a gravação com um pedido de voto em Lula.

“O objeto é apurar se houve utilização de patrimônio, serviços, canais oficiais, servidores ou decisões administrativas da UFMT para promoção eleitoral”, registra a representação apresentada à Procuradoria Regional Eleitoral.

O pedido cita a Lei Complementar nº 64/1990 e a Lei nº 9.504/1997, que tratam, entre outros temas, de abuso de poder e condutas vedadas a agentes públicos.

Medeiros cobra informações sobre denúncias de tráfico de drogas

Em outra iniciativa, o deputado solicitou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), informações sobre ocorrências criminais em universidades federais, especialmente na UFMT.

O requerimento menciona a prisão de cinco suspeitos em junho de 2024 e denúncias divulgadas em julho de 2025 sobre possível comercialização de entorpecentes nos banheiros do campus.

Medeiros quer saber quais providências as autoridades adotaram, se houve comunicação entre a universidade e as forças policiais e quais mecanismos de cooperação existem para enfrentar esse tipo de ocorrência.

“Não se pode admitir que universidades públicas, financiadas com recursos da sociedade brasileira, sejam utilizadas como pontos de comercialização de drogas ilícitas ou como espaços de atuação de organizações criminosas”, afirmou o parlamentar na justificativa.

Ministério da Justiça deverá fornecer dados sobre segurança

O requerimento solicita estatísticas de ocorrências desde janeiro de 2023, informações sobre operações policiais, ações integradas e eventuais recursos federais destinados à prevenção e repressão ao tráfico de drogas.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, também já abordou publicamente denúncias relacionadas à segurança no campus.

As representações de Medeiros pedem a preservação de documentos, vídeos e publicações para subsidiar as apurações. Os órgãos competentes deverão avaliar os elementos apresentados antes de qualquer conclusão sobre possíveis responsabilidades.

As informações fornecidas não incluem manifestação da administração da UFMT, dos sindicatos mencionados ou do Ministério da Justiça sobre os pedidos.

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