O deputado estadual Wilson Santos (PSD) fez um alerta contundente sobre a crescente influência das facções criminosas nas periferias brasileiras. Em entrevista concedida no dia 29 de novembro, o parlamentar criticou o modelo atual de segurança pública e afirmou que a falta de presença efetiva do Estado tem permitido que o crime organizado ocupe espaços abandonados pelo poder público.
A ausência que gera poder paralelo
Segundo Wilson Santos, o problema da criminalidade não se resume à repressão policial, mas à falta de políticas sociais que cheguem às comunidades. “Eu sempre defendi que não se faz segurança sem ação social. A ausência do Estado, principalmente nas periferias, não fica vazia. Alguém vai ocupar esse espaço”, disse.
O parlamentar lembrou que, anos atrás, o crime não tinha a capacidade de organização social que tem hoje. “Quando comecei na vida pública, não havia nenhuma facção criminosa fazendo ação social, cuidando do aspecto esportivo e até cultural. Hoje, o que vemos é o poder paralelo substituindo o Estado onde ele falha”, pontuou.
A fala de Wilson reflete um fenômeno que especialistas em segurança vêm apontando: em diversas regiões do país, grupos criminosos têm usado projetos esportivos e culturais como forma de conquistar apoio nas comunidades. Essa estratégia, segundo ele, surge justamente do vazio deixado por políticas públicas ineficazes.
Crítica à distância entre governos e comunidades
Wilson Santos também criticou o que considera o distanciamento das autoridades em relação à realidade das periferias. Para ele, os governos falham ao concentrar esforços em campanhas de imagem, enquanto a base da violência permanece intocada. “O poder público tem se limitado à propaganda. Falta ação concreta, falta presença. É nas ruas, nas escolas e nos centros comunitários que o Estado precisa estar”, declarou.
O deputado ainda destacou que os investimentos em educação, cultura e esporte são tão importantes quanto os em policiamento. Sem alternativas de inclusão, afirmou, as comunidades acabam vulneráveis ao domínio do crime organizado.
Feminicídios e a contradição entre discurso e prática
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a forma como o Estado lida com o combate à violência contra a mulher. Wilson criticou o que chamou de “discrepância entre discurso e prática” nas políticas de enfrentamento aos feminicídios. Segundo ele, há muitas campanhas, mas pouca estrutura real para acolher e proteger vítimas.
O parlamentar defende que o combate à violência de gênero precisa ser levado com a mesma seriedade que o enfrentamento ao crime organizado, com medidas estruturais e presença constante do poder público.
Com um tom crítico e propositivo, Wilson Santos concluiu que o caminho para reduzir a violência passa, inevitavelmente, pela reconstrução da presença do Estado nas áreas mais vulneráveis. “Segurança se faz com polícia, mas também com escola, com esporte e com oportunidades”, afirmou.
Perguntas e respostas
Porque o Estado está ausente e o crime organizado ocupa o espaço deixado pelas políticas públicas.
Ele afirma que os governos priorizam a propaganda e não enfrentam as causas sociais da violência.
Que há uma grande distância entre o discurso político e as ações práticas de proteção às mulheres.


