Wanderley Cerqueira teria prometido R$ 500 mil a vereadores e articulado plano para assumir Prefeitura de VG, aponta investigação

Fabíola Maria Costa Silva •
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O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), teria articulado um esquema de pagamento de vantagens financeiras a vereadores para garantir sua recondução à Mesa Diretora e ampliar sua influência sobre a administração municipal. Segundo informações divulgadas, com base em elementos de um inquérito da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira (20), o parlamentar teria prometido R$ 500 mil a cada vereador, além de pagamentos mensais de R$ 10 mil e distribuição de cargos. A investigação também aponta um suposto plano para afastar a prefeita Flávia Moretti (PL) e permitir que Wanderley assumisse o comando da Prefeitura de Várzea Grande.

Investigação atribui declaração sobre exoneração da prefeita e venda do DAE

Entre os elementos mencionados na investigação, uma declaração atribuída a Wanderley Cerqueira chama atenção pelo conteúdo relacionado à administração municipal.

“Eu vou exonerar a prefeita, vender o DAE e nós vamos repartir o dinheiro”, diz a frase que, segundo a publicação, consta nos autos do processo.

Os investigadores apuram se o parlamentar pretendia utilizar sua posição política para interferir na administração municipal e viabilizar a concessão ou privatização do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG).

Conforme os relatos apresentados na investigação, o suposto planejamento ultrapassaria a disputa pela presidência da Câmara e envolveria interesses relacionados ao comando do Poder Executivo.

Vereadores teriam recebido propostas de R$ 500 mil e pagamentos mensais

De acordo com as informações atribuídas ao inquérito, o grupo investigado teria oferecido vantagens financeiras para conquistar apoio político dentro da Câmara Municipal.

A apuração menciona a promessa de R$ 500 mil a cada vereador, além de repasses mensais de R$ 10 mil, descritos como um suposto esquema de pagamentos regulares.

Além dos valores, os investigadores apontam a possível distribuição de cargos comissionados como parte das negociações.

Outro elemento mencionado envolve a exigência de cartas de renúncia em branco, que os parlamentares supostamente deveriam assinar como condição para participar do acordo.

A investigação busca esclarecer a finalidade desses documentos e a eventual participação dos envolvidos nas negociações.

Vídeos e registros bancários integram material apresentado ao Gaeco

Segundo a reportagem, uma testemunha entregou aos investigadores materiais que incluem mídias de armazenamento, registros bancários, notas fiscais e vídeos.

Entre os episódios mencionados aparece o ex-diretor-presidente do DAE-VG, conhecido como Rogerinho da Dakar (PSDB).

Conforme a publicação, imagens incluídas no material investigativo mostram Rogerinho recebendo maços de dinheiro dentro de um escritório.

O episódio antecedeu sua exoneração do comando da autarquia pela prefeita Flávia Moretti.

A existência das imagens e dos documentos, conforme relatada pela reportagem, integra a apuração, mas não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos investigados.

Suposto plano previa afastamento de Flávia Moretti e controle da Prefeitura

Outro ponto destacado pela investigação envolve uma possível articulação para retirar Flávia Moretti do cargo de prefeita de Várzea Grande.

Segundo os relatos atribuídos ao Gaeco, o grupo pretendia viabilizar a cassação do mandato da gestora e criar condições para que Wanderley Cerqueira assumisse a administração municipal.

A estratégia consideraria a renúncia do então vice-prefeito Tião da Zaeli, circunstância que poderia alterar a linha sucessória do município.

Com a eventual chegada de Wanderley ao Executivo, o grupo teria como uma das prioridades acelerar medidas relacionadas à concessão ou privatização do DAE-VG.

A Operação Cathedra Venalis investiga as suspeitas de irregularidades envolvendo a disputa pelo comando da Câmara Municipal. As informações divulgadas até o momento representam alegações investigativas, e não condenações. A reportagem apresentada não traz manifestação de Wanderley Cerqueira sobre as acusações específicas.

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