Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos de 20 anos, mas exige dados de Lula, Janja e empresas dos filhos do presidente

Fabíola Maria Costa Silva •
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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta-feira (21), que aceita divulgar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas estabeleceu condições para cumprir o compromisso. O senador exige que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresente informações sobre gastos do governo federal, a agenda da primeira-dama Janja e movimentações de empresas ligadas aos filhos do petista. A manifestação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, após Lula propor a abertura dos próprios sigilos e dos familiares, desde que Flávio também divulgasse seus dados.

Flávio exige transparência sobre cartões corporativos e gastos da Presidência

Na manifestação apresentada à Justiça Eleitoral, a defesa de Flávio Bolsonaro classificou a proposta de Lula como uma tentativa de obter repercussão política sem garantir transparência efetiva.

“O pedido é mais uma promessa vazia de Luiz Inácio Lula da Silva. É mais uma tentativa de ludibriar o eleitorado com palavras bonitas, porém despidas de qualquer substância”, afirmaram os advogados.

Entre as exigências, Flávio solicita a divulgação dos gastos com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023, além dos registros de utilização de helicópteros oficiais e das despesas da residência presidencial.

O candidato também pede acesso à agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025 e aos registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada.

Empresas de Lulinha e mensagens com banqueiro entram na discussão

Flávio Bolsonaro também quer que Lula amplie a divulgação de informações para incluir empresas de seus filhos, especialmente aquelas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.

Além disso, o senador solicita dados do ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

Em contrapartida, Flávio declarou que autoriza a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas de quatro empresas das quais participa como sócio ou administrador.

O candidato também afirmou que não se opõe à publicação das mensagens que trocou com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Entretanto, a autorização apresentada por Flávio depende do cumprimento prévio das condições impostas ao presidente Lula.

Lula também autoriza abertura de sigilos de familiares

Na terça-feira (20), Lula apresentou ao TSE uma petição oferecendo a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos, desde que Flávio Bolsonaro adotasse medida equivalente. A iniciativa surgiu após um desafio feito pelo presidente durante o debate eleitoral da Band, no domingo (18).

A defesa do petista também apresentou procurações de familiares, incluindo Fábio Luís, Marcos Cláudio, Luís Cláudio, Lurian e Sandro Luís Lula da Silva, para demonstrar a concordância deles com a proposta.

O pedido prevê a disponibilização pública das informações pelo sistema DivulgaCandContas ou por outra plataforma eletrônica acessível à população.

Divulgação dos documentos depende de acordo entre candidatos

Apesar das manifestações apresentadas ao TSE, nenhum dos dois candidatos concordou com a divulgação incondicional dos dados.

Enquanto Lula exige reciprocidade de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL condiciona a entrega de seus documentos à apresentação de informações adicionais sobre o governo e pessoas ligadas ao presidente.

A discussão ocorre às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O ministro André Mendonça é o relator do caso na Justiça Eleitoral, que recebeu os pedidos apresentados pelas duas campanhas.

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