A tarde desta quarta-feira (25) foi marcada por emoção, resistência e ancestralidade no Centro Histórico de Cuiabá. A Casa das Pretas, um dos espaços culturais mais importantes da capital mato-grossense, recebeu a visita da Ministra da Cultura, Margareth Menezes. O encontro, simbólico e potente, destacou o papel central das iniciativas culturais periféricas e negras na construção de políticas públicas inclusivas.
A visita integrou a agenda oficial da ministra durante o Encontro Estadual de Gestores de Cultura e Esporte, evento que reuniu representantes de mais de 100 municípios de Mato Grosso. Mesmo com a agenda apertada, Margareth fez questão de conhecer de perto o trabalho do IMUNE MT (Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso), que mantém viva a Casa das Pretas.
Casa das Pretas: um território de resistência no coração de Cuiabá
Mais que um espaço físico, a Casa das Pretas representa um ponto de força da cultura negra e periférica de Mato Grosso. Criado para abrigar projetos voltados às mulheres negras, juventudes das periferias e comunidades tradicionais, o espaço mistura arte, política, espiritualidade e memória ancestral.
Durante a visita, o grupo Buriti Nagô e os Anjos da Lata, sob coordenação do mestre Régis Gomes, realizaram uma recepção vibrante com batuques, canto e dança. A atmosfera foi de acolhimento, luta e afirmação. Margareth se emocionou com as apresentações e destacou a importância de apoiar espaços como esse que, segundo ela, “transformam a realidade com cultura e dignidade”.
Cultura de base como prioridade do Ministério
Em seu discurso, Margareth Menezes reforçou o compromisso do Ministério da Cultura em descentralizar recursos e fortalecer projetos que nascem das comunidades. Para ela, não se pode pensar política cultural apenas a partir dos grandes centros. “É nas casas como essa que o Brasil se reconstrói com beleza, coragem e verdade”, afirmou.

A ministra também ouviu relatos de lideranças do IMUNE sobre a dificuldade de manter o espaço vivo sem financiamento contínuo. A Casa das Pretas defende que as políticas públicas devem partir da base para o topo, respeitando os saberes locais e garantindo permanência para além de editais pontuais.
Mato Grosso no mapa da cultura popular brasileira
A presença da ministra fortalece a presença de Mato Grosso no circuito nacional da cultura de base. A visita também impulsiona o reconhecimento de iniciativas que atuam com identidade, território e ancestralidade, principalmente em um estado marcado pela diversidade étnica e geográfica.
A expectativa é de que a visita traga frutos concretos, como editais específicos, convênios e ações continuadas para fortalecer as Casas de Cultura do Brasil profundo — espaços que, como a Casa das Pretas, seguem em movimento com dignidade, arte e voz.
Perguntas e respostas
- A Casa das Pretas recebe apoio do governo federal atualmente?
Ainda não de forma contínua. A expectativa é que a visita da ministra ajude a mudar isso. - O que torna esse espaço tão simbólico em Cuiabá?
Ele representa resistência, cultura negra viva e protagonismo feminino no centro histórico da cidade. - Haverá novos editais para projetos culturais de base?
A ministra sinalizou que sim, com foco em descentralização e permanência dos espaços culturais.



